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O SALMO 133


Visão do Monte Hermom

O nome do Monte Hermon tem sido relacionado à raiz semítica ḥrm, que significa "tabu" ou "consagrado", e ao termo árabe al-ḥaram, que significa "invólucro sagrado".

Picture: Hermonsnow.jpg, From Wikimedia Commons, the free media repository.


Ir.·. Renato Burity Oliveira, MI, 33, KT


Os Landmarks são as leis mais antigas da Maçonaria. Nos Landmarks, o de número 21 exige que, durante os trabalhos ritualísticos de uma Oficina, fique aberto o Livro da Lei sobre o Altar dos Juramentos.


O Livro da Lei poderá ser a Bíblia, o Corão, o I Ching, a Thorá, os Upanhishads ou qualquer outro livro que seja sagrado para uma religião.


No Brasil, onde predomina a influência judaico-cristã, consequentemente as Lojas adotaram a Bíblia.


Nos antigos rituais o REAA estabelece que, em Loja de Aprendiz, deve ser lido o Capítulo 1 do Evangelho de São João, versículos 1 a 5. No século XIX o Salmo 133 começou a ser lido em algumas Lojas do Rito de York, na Inglaterra. Nos Estados Unidos da América algumas Grandes Lojas trocaram os versículos de São João pelo Salmo 133 de David.


No Brasil, a busca do reconhecimento internacional levou as Grandes Lojas a copiarem este uso das Grandes Lojas norte-americanas e, assim, introduziram a leitura do Salmo 133 por volta de 1940. Em sequência, a leitura deste Salmo também foi adotada nas Lojas do REAA e do Rito de York federadas ao Grande Oriente do Brasil.


O Salmo 133 consta de três versículos.


O primeiro versículo diz:


"Oh! quão bom e quão suave é que os Irmãos vivam em união"


Para os hebreus de antigamente, a palavra “irmão’ apresentava significado bem definido. Jerusalém não era apenas a Capital civil, mas também uma entidade espiritual. Em algumas ocasiões, práticas religiosas eram celebradas no Templo de Salomão. Era um período feliz, pois todos os judeus reconheciam a sua comum irmandade e “habitavam em união” por diversos dias, na Cidade Sagrada para onde todos convergiam.


Mais do que qualquer outro povo, os judeus davam importância à unidade familiar. Os filhos nunca deixavam a tenda do pai, mesmo quando nómades. Quando um rapaz casava, outra tenda era levantada. Somente as moças deixavam o lar, para se mudar para a tenda de seus maridos. Era o ideal da família, que “os Irmãos habitassem em união”.


Assim como os irmãos de sangue sentiam a necessidade de unir-se em torno do Templo Familiar, entende-se que a filosofia maçônica tomou como exemplo essa experiência, para ensinar seus membros a estarem sempre juntos como única família, constituindo o seu Templo Espiritual.


Quando são lidos os versículos do Salmo no momento do Ritual de abertura da Loja, esse texto atua em todos os Irmãos presentes, como unificador das mentes em torno do grande objetivo comum, pois neste momento constitui-se uma obra de criação a Glória do GADU.


A interjeição “Oh” designa admiração, surpresa, realça o espírito do texto ao relatar a “excelência do amor fraternal”, o grau máximo de bondade e de perfeição causado pelo encontro dos que se amam.

O segundo versículo diz:


"É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Aarão, que desce até à orla das suas vestes"

Em Êxodo, capítulo 30, versículos 22 e seguintes, vemos que o óleo usado na consagração de Aarão, era composto de 8kg de mirra, 8kg de cássia, 4kg de canela aromática, 4kg de cinamomo e de 6 litros de puro azeite de oliveira (estas medidas, em quilos e em litros, foram obtidas a partir das quantidades mencionadas na Bíblia, onde 1 Ciclo corresponde a 16 gramas e 1 Lin corresponde a 6 litros).


Em Levítico, capítulo 8, versículos 6 e seguintes, vemos que Moisés derramou este óleo sobre a cabeça de Aarão ao ungi-lo sacerdote, em cumprimento das instruções recebidas de Deus. A Arca da Aliança, e tudo o que ela continha, também foi consagrada com o mesmo óleo, na mesma ocasião.


Em Levítico capítulo 21, versículo 10, diz; “Aquele que é Sumo Sacerdote entre seus irmãos, sobre cuja cabeça foi derramado o óleo da unção, e que foi consagrado para vestir as vestes sagradas, não descobrirá a cabeça nem rasgará a sua vestidura”.


No plano coletivo, sagração de Aarão é o sinal da aliança que o Criador selou com a sua Criação, a aliança entre o Macro Cosmo e o Micro Cosmo, entre o Universo e o Homem.


O terceiro versículo diz:


"É como o orvalho do Hermon, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre"

Na antiga língua aramaica, Hermon significa lugar proibido. Trata-se da montanha mais alta da costa oriental do mar Mediterrâneo, situado na fronteira entre o Líbano, Israel e a Síria, a cerca de 40 km (25 milhas) a sudoeste da cidade de Damasco. Segundo a Enciclopédia Britânica, a sua altitude é de 3.046m acima do nível do mar. Do seu topo vêem-se o Líbano, as planícies nos arredores das cidades de Damasco, Tiro, Carmel, as montanhas da alta e da baixa Galileia e, em dias claros, a região norte do Mar Morto, a 160 km de distância.


Alguns estudiosos afirmam que foi no Monte Hermon e não no Monte Tabor que ocorreu a transfiguração de Jesus (nem Marcos, nem Mateus nem Lucas, os apóstolos que mencionam a transfiguração, declaram o nome do "alto monte" onde ela ocorreu).


Em Árabe, o Hermon é conhecido como Jabal Ash Thelj, que significa montanha de neve. De fato, o cume do Hermon fica permanentemente coberto de neve, inclusive no verão. Nos seus contrafortes nasce o rio Jordão, cujas nascentes recebem continuamente o orvalho e a neve, que derretidos descem do topo do Hermon.


Jordão significa "rio que desce" ou "rio de Dan". Os Árabes o chamam de Esh-Sheri'a, "o lugar da água". A sua travessia pelos Judeus, simboliza a sua entrada na Terra Prometida de Canaã, após o Êxodo do Egito. Ele forma o Mar da Galileia, o Lago Tiberíades, e deságua no Mar Morto, a cerca de 30 km de Jerusalém.


Sião era o nome da primitiva Jerusalém e das terras que estavam próximas. As águas do Hermon, descendo pelo rio Jordão, abasteciam e vivificavam as terras da antiga Sião, irrigando os montes à sua volta e trazendo a abundância e riqueza ao povo ungido de Deus (trazendo-lhes "a bênção e a vida").


A partir do exposto em relação aos versículos 2 e 3, podemos compreender as razões porque o Salmista - o rei David - enfatiza, no versículo 1, a importância da concórdia e da união fraternal, ao esclarecer que, além do aspecto sagrado e abençoado, explícito no 2º versículo, a união é indispensável ao progresso Material, Moral e Espiritual de todos os Irmãos.


Assim, ao início dos trabalhos em Loja, e pelo poder místico do Salmo 133, os Irmãos atingem a mais íntima comunhão espiritual, que os eleva acima e além dos limites impostos pelo corpo físico, para atingir a perfeita união com a Consciência Universal, o Grande Arquiteto do Universo.

 

Ir.·. Renato Burity Oliveira, MI, 33, KT


- Loja Maçônica Fraternidade Rionovense nº 32, Or.·. de Ipiaú-BA, REAA-GLEB em 28.04.2004.

- Loja Maçônica Ecologia e Fraternidade Itacareense nº 3210, Or.·. de Itacaré-BA, Rito Brasileiro - GOB em 14.05.2004.

- Loja Maçônica Regeneração Sulbahiana, Or.·. Ilhéus-BA, REAA-GOB, em 2004.

- Loja Vigilância e Resistência nº 70, Or.·. de Ilhéus-BA, REAA-GLEB em 21.07.2008


 


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