PEDRA BRUTA

Blog do site SALMO133 - Pesquisas e Estudos Maçônicos

sábado, 6 de março de 2010

A Academia e os novos tempos

O século 21 trouxe uma necessidade ainda maior de se ampliarem os trajetos no sentido de que a Academia Brasileira de Letra seja mais vista e ouvida. Há - e está bem aos nossos olhos - uma geração que parece ter nascido com controle remoto e mouse à mão. Basta um clique e a tela muda. Portanto, é vital que nos afinemos com os moços.

Desde a adoção do alfabeto na Grécia antiga, passando pela invenção da imprensa com os tipos móveis do Renascimento, não há nada mais revolucionário do que a chegada do digital. Até ontem, por exemplo, toda plataforma para ler era modulada de forma passiva e indireta pela luz do sol ou pela lâmpada. Hoje, o fundo emite luz e nós teclamos sobre seu fluxo, e o fundo sobre o qual aparecem letras e imagens é fonte de luz ativa.

Nada anula a atração de elucidar o alcance dos novos usos. E uma Academia de Letras também está obrigada, na contemporaneidade, a refletir sobre linguagem e tecnologias, do contrário ficará como sombra, ao perder a fonte de irradiação.

A Academia examina mais opções na internet, twitter, e-books e tudo mais que este século nos trouxer de novo. Independentemente do kindle, mesmo que se argumente que o leitor com ele se dispõe a carregar nas mãos 3.500 livros, e mesmo que exija pouco espaço para até milhares de livros, sabemos que não serão superados os incomparáveis prazeres táteis e cerebrais dos livros de papel. Ainda assim, claro está que, se não preenche o imaginário da leitura literária, não nos enganemos sobre a força que o e-book exercerá no futuro em relação ao livro didático.

Não somente por isso, mas também, e principalmente, por isso, nós nos tornamos uma casa aberta a toda forma de cultura. Unir a literatura a todas as formas de manifestação cultural, como artes plásticas, desenho, cinema, música e teatro, entre muitas outras, mais novas ou não, é o objetivo da casa. Temos, de letras, o sentido das humanidades, não apenas o de letras literárias.

Mais de um século separa as obras de um Degas, por exemplo, da era digital. No entanto, em muitos museus essas obras e a computação estão integradas em perfeita combinação artística. Especialistas temem que o homem esteja a inaugurar uma cultura autodestrutiva - uma cultura da incultura. É possível que haja nisso alguma razão. É também possível que haja nisso algum exagero. Mas uma coisa é certa: nada anula a atração de elucidar o alcance de novos usos.

O tempo presente nos põe em alerta sobre o que significam para a cultura as instantaneidades da comunicação. Diversidade cultural é fator de coesão, e não caminho de fragmentação. Cultura há de ser, portanto, a unidade dos momentos, o que é bem diferente de ser mera unicidade. Por isso pretendemos estabelecer de forma gradual, ininterrupta e coesa uma aliança com o País que ainda está chegando. Sem esse enlace, no futuro não haverá como preservar a tradição. Seremos pó. E as cinzas não aquecem.

A Academia reivindica, por sua representatividade, que nada pode ser decretado no âmbito da cultura sem que passe pela nossa casa. Damos exemplos: direito autoral é assunto que deveremos afinar, a internet não pode aparecer como plataforma hostil ao arrepio dos direitos do usuário, a proteção à obra não pode inibir a sua apropriada divulgação no equilíbrio do interesse econômico e do interesse público.

Este ano a Unesco se dedicará ao que denominou "Ano da Aproximação das Culturas". Nada mais aliciante. A indiferença no que toca às diferenças culturais mata a capacidade de compreender. A diversidade é fator de enriquecimento mútuo. Nada de amnésia. A memória alimenta a capacidade criadora. Essa compreensão, esse conhecimento nos põem aptos a fazer da cultura um fator de emancipação, de descobrimento e de justiça.

Nós nos orgulhamos muito de que a Academia seja em grande parte o contraste dentre dois homens inseparáveis: Machado de Assis, o humilde que se fez aristocrata das letras; e Joaquim Nabuco, que, pertencendo à hierarquia do Império, se fez humilde, para melhor escutar os gritos de liberdade.

A Academia comemorará, como não poderia deixar de fazê-lo, o centenário de morte de Joaquim Nabuco, com permanente curiosidade e completa empatia, tal como fez em relação a Machado de Assis. Estamos a promover ciclo de conferências e reedição de algumas de suas obras. Iremos a Londres e a Washington para comemorações especiais com a intelectualidade dessas cidades, nas quais serviu como embaixador. Nabuco, como homem público, é precioso emblema de ética na política.

Como um operador da transformação social, trouxe o povo para o combate pela liberdade. Temos certeza, certeza acadêmica, de que os brasileiros estarão ainda mais convencidos da sabedoria dele, recordando o que, em 1909, escreveu no Diário pessoal: "O corpo pode ser demolido, não o seja nunca o espírito." E juntos atentaremos para a lucidez de quem, há cem anos, enxergando da vida o claro/escuro e mesmo já com a voz a falhar, segredou ao médico que o atendia: "Doutor, pareço estar perdendo a consciência... Tudo, menos isso!..."

Temos certeza, também, à sombra desses dois exemplos clássicos, que aos intelectuais compete lutar para que se impeça concentração de poder, com amargo sabor totalitário. Democracia não é só o voto na urna, mas, igualmente, o acesso cotidiano à justiça e à repartição dos frutos do crescimento econômico e do desenvolvimento social. A Academia não se senta, nem se sentará, na plateia para se ausentar do palco. Sem deixarmos de ser gente, queremos ser a Academia. Não permitiremos a atitude tribal de fechar a casa. Há muito fizemos a abertura. Sua claridade tem de estar em movimento. Irreversivelmente.

Marcos Vinicios Vilaça é presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL)
Jornal "O Estado de São Paulo"

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Posse na APML - 27/2/2010

Cerimônia de posse do novo presidente da A.P.M.L. - Academia Paulistana Maçônica de Letras, Professor Shlomo Zekry, dia 27/2/2010, orientada e presidida por um dos seus lídimos fundadores e presidente de honra da Academia, Dr. Antonio Soares da Fonseca, que depois de eximia condução dos trabalhos ritualísticos e elaborada oração passa a palavra ao presidente da gestão cessante Dr. L. Dalton, para a referida transmissão.

Logo, instado pela presidência faz uso da palavra o past-Presidente Professor Erasmo Figueira Chaves:

Aos que presidem e compõem a mesa, produzindo esta egregora tão propícia, inspiradora e essencial, os meus parabéns! Ao novo e ao Past-presidente imediato o meu abraço e votos de plenitude e felicidade no desempenho de seus ideais maçônicos.
Uma palavra legítima de congratulação e identificação com este momento solene, que envolve inapelavelmente os destinos e significado de nosso sodalício, desejo prazeirosamente proferir, pois trata-se com justiça de reconhecer, de enaltecer, consagrar e ressaltar a missão e sentido da significativa A. P. M. L. e sobretudo aos ideais que a movem, expressos nas “letras” de sua significativa e titular definição: “Academia Paulistana Maçônica de Letras”.

As letras de nossa agremiação não são, nem podem ser quaisquer letras, letras corriqueiras, comuns, vulgares, destituídas do espírito samaritano reparador e construtor, mas certamente são e serão sempre as letras Maçônicas, cristalinamente testemunhais, aquelas que produzem bons frutos, oriundas da alma, mente e coração, cultivadas como um todo harmônico na verdade de fatos concretos, transparentes, translúcidos, límpidos instrumentos e bons documentos, letras abrigadas e latentes num corpo material mas passageiro, missionário e etéreo, DNA traiçoeiro quando não avisa seu possuidor, administrador da transcendência de sua realidade terrena e passageira, letras que Só são imortais quando eivadas de destinos grandes e princípios salutares, cônscias, construtivas, exemplares, expressivas, significativas para a construção da pedra polida, brunida, luzidia, que antes era bruta e rugosa, como a pedra bruta em que Miguel Angel visualizava, previa que naquela brutalidade, o maciço de pedra bruta, a “Pietá” lá estava dentro, “bastava apenas lapidar-lhe os excessos”.

Letras enfim que constituem palavras, palavras que representam gestos, perfis e atitudes, atitudes, expressões, sutilezas, parágrafos, preciosidades oriundas contudo do ser material evolutivo concreto, mas veículo poderoso, instrumental, imaterial, transcendente e civilizador, que da perfeita consciência da animalidade histórica original que o constitui, se torna evolutivamente a expressão da vontade transcendente da criação.

Letras, letras de humildes pedreiros construtores de ogivas materiais, inspiradas no entanto nas linhas ogivais das mãos postas em oração , oração latente, permanente, constante, residente nos ocultos escaninhos de neurônios bem computados, cuidadosa e constantemente alimentados e, na magnificência de coração sensível aos acordes do bom senso e do bem comum, na ação esperançosa transcendente e dignificante, obediente à culta inteligência e à razão evolutiva.

As letras e atos maçônicos precisam estar imunes às influências e contaminações externas de uma civilização espúria, mas contrariamente precisam e devem significar testemunho cristalino, transparente e influência eficaz aos costumes deletérios e comportamentos nefastos externos.

Foi nessa realidade transcendente em que o nosso ilustre irmão Ruy Barbosa, “batalhou o bom combate” durante toda a sua brilhante e significativa vida. Por esses ideais estrebuchou em certo momento histórico de nosso país. Meu comentário se insere e identifica respeitosamente, com a expressão de repúdio ao nefasto tão espontaneamente manifesto por Ruy, em suas sentidas palavras de cidadão moralmente ofendido.

Educação! Educação! Educação ! é o que clama a nação !!! . . .

Essas são as “Letras” que aspiro e propugno para nossa Academia Paulistana Maçônica de Letras”

O irmão Ruy Barbosa: Uma benção. Paladino inconfundível, espírito de justiça, expressividade altruísta e patriótica. Vida totalmente dedicada a construir civilidade, cidadania e civilização. Cabal testemunho de integridade e clarividente inteligência. Um grito de virilidade e lucidez intelectual. Lamento lúcido, conspícuo, espontâneo, sincero de dor que não abala mas afirma lapidarmente profundas, apropriadas e muito pessoais convicções:

“. . . De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar¬¬-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”
Ruy Barbosa – 05/11/1849-01/03/1923

“. . . A pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas se esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. Porque todos os sentimentos grandes são benignos, e residem originariamente no amor. . .” Ruy Barbosa: Palavras à Juventude

QUE MARAVILHOSA CONCEPÇÃO DA DEMOCRACIA REPUBLICANA ! . . .

Podemos nós “imortais” das letras maçônicas ser coadjuvantes e instrumentos na sua difusão? . . .

No entanto esta insigne figura, maravilhoso exemplo de nossa história e incomensurável valor cultural, embora presidindo em frio bronze o plenário do nosso Congresso Nacional, não consegue impregnar os congressistas, com o seu vital exemplo, espírito lúcido, sentido de missão, justiça e palavra mensageira edificante.

. . . (Aliás,quando Ruy Barbosa declarou: “a justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada” sequer imaginou a falência moral em que seu País um dia fosse mergulhar.). . .

Outro maravilhoso irmão, no vigor de sua juventude aos 24 anos, mais um entre tantos maçons ilustres, tem a coragem e a dignidade de elevar sua voz clamando e chamando a atenção do todo poderoso José Bonifácio, amigo, ministro e conselheiro do Príncipe e Rei, envergonhado e indignado contra o sistema que permitia o tráfico de escravos:

Andrada, tira esse pendão dos ares”!!! . . .

Coragem, coragem, coragem, autoridade moral, testemunho e ação !!! . . .

Na atmosfera de corrupção e desastres políticos e administrativos por que passa a nação, qual o desafio que se nos apresenta, como representantes das letras maçônicas? Qual o dever ou contribuição que nos é requerida ou de nós esperada?

A propósito, qual era a atmosfera da realidade sociológica imperante nos idos tempos da era Camoniana? Luiz Vaz de Camões, estruturador, depurador da nossa língua, a maravilhosa língua portuguesa com que nos comunicamos e com ela elaboramos, idealizamos, nos realizamos, dizia, em singelos e corajosos versos, à época dos descobrimentos, lá pelos idos de 1550:

. . . “Ao desconcerto do Mundo” . . .

“Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos,
E para mais me espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Buscando alcançar assim,


O “bem” tão mal ordenado
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que só para mim,
anda o mundo concertado!”
. . .
Luiz Vaz de Camões

Cansada está a nação de ver-se constantemente retratada nessa injusta, nada instrutiva pedagogia e confusão desconcertante, nessa autofagia de conceitos entre princípios e regras, produzindo-se o constante deprimente conflito, soberanamente injusto e frustrante sentimento do cidadão comum, em que por mais que faça e imite o comportamento geral, na cândida intenção de acerto, admitido como razão consensual, na ausência de orientação confiável e Rumo Certo, não deixa de errar constantemente e sentir compungido, triste e profundamente

que só para mim, anda o mundo concertado!”. . .
e só ele portanto castigado! . . .
. . . “O favor com que mais se acende o engenho,
Não no dá a Pátria, não,
Que está metida no gosto da cobiça e na rudeza
De uma agastada, insana e vil tristeza” . . .

Luiz Vaz de Camões

Agastada, insana e vil tristeza” numa época de esplendor advinda dos descobrimentos, em que Portugal dominava as rotas marítimas e o comércio mundial.

Ah, mas a bendita ou melhor dizendo, a maldita, maldita e eterna corrupção, grassava então como agora, impedia vôos do espírito de justiça e fraternidade para todos igualmente.

A quem estava falando, com suas mensagens o grande vate? Apenas a seus contemporâneos ? Ou suas mensagens encerram conspícua lealdade a princípios eternos que sempre se esquecem, ou jamais se aprendem de geração após geração? Não está falando-nos pessoalmente hoje? Podemos nós maçons e literatos contribuir de alguma forma para modificar esse status?

Espelhemo-nos e inspiremo-nos no espírito do grande maçon e literato que foi Ruy:

. . . “Porque todos os sentimentos grandes são benignos, e residem originariamente no Amor” . . .(Ruy Barbosa – oração aos moços)

Amor fraterno para com a humanidade, paralelamente ao amor fraterno entre irmãos. Amor que nos impele à ação da coragem, do alerta, da admoestação, da sinalização de escolhos, para a correção de rumos. Amor que nos leve intima e categoricamente a saber que não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Amor que nos inspire à palavra de contemporização, sempre que a mesma conduza à verdade,à justiça, ao perdão aspirado e à bondade inconfundível desejada, sem qualquer hipocrisia ou cálculo malsão. Amor que em si é autoridade moral. Amor que impregna a alma, a mente e o corpo, inspira a ação apropriada, necessária e de bem fazer. Da mesma forma que a essência do bem sublime da cidadania, da fraternidade e do bem comum, se insere e aufere do extrato essencial do samaritano cristianismo que nos foi ensinado pelo Mestre dos mestres no Sermão da Montanha:

. . . “Haveis ouvido que foi dito – olho por olho e dente por dente,- mas um novo mandamento vos dou:Amai-vos uns aos outros” !!! . . .






Erasmo Figueira Chaves
Past-Presidente da A.P.M.L.

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sexta-feira, 5 de março de 2010

Washington, DC
















Passamos um final de semana inesquecível. A viagem de carro desde Roanoke, VA, até Washington, DC, foi muito agradável e descortinamos o tempo todo uma paisagem nevada. Visitamos alguns dos principais pontos turísticos, andamos de Metro e pé. Conhecendo um pouco mais da bela capital americana, mas de olho aberto para eventuais pistas de "O Simbolo Perdido"...




































A origem da navegação estelar: o sextante

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sábado, 6 de fevereiro de 2010

U R B I E T O R B I




















Eis o nome que se quis dar à nossa querida novel Loja simbólica, na qual destacados maçons convictos e dedicados, ao fundá-la, querem significar sua pessoal identificação e perfeita consciência dos tremendos desafios e apelos que em nossa época pululam em profusão imediata e incontrolável, ao nosso redor, em nossa cidade, em nosso país e no mundo inteiro. São os mesmos apelos manifestos através dos tempos na cidade, no campo e no tempo Universal sem fronteiras, na ansiedade e expressão evolutiva e construtiva de Alma, Corpo e Mente em equilíbrio harmônico potencialmente perfeito.

A Cidade e o Mundo, “Urbi et Orbi” na dimensão e percepção generosa do espírito, do atento, favorecido intelecto, a escrutar, perscrutar, em silente consciência e meditação sobre os problemas candentes, vitais e urgentes que têm acompanhado a história do homem e da humanidade desde os primórdios da civilização, fatos históricos iniludíveis, repetitivos, resquícios nefastos que ainda permanecem atávicos à realidade humana em todo o lugar, ecos do canto dolente do velho carro de bois na era da Internet, do foguete e da velocidade comunicativa que entretanto, rara e surpreendentemente comunica devidamente conteúdo transcendente e edificante algum, digno de real apreço, admiração e correspondente respeito, fatores que nem sempre têm recebido da sociedade organizada e responsável a prioridade, a consideração exigida pela consciência moral, ética, religiosa, objetiva, dita civilizada, culta ou esclarecida, que pretende transformar apenas epidermicamente cruas, irresponsáveis e pérfidas inconsciências. Crescem na realidade as inconsciências e as inconsistências, mermam as consciências e as coerências. Na realidade, tem-se praticado sempre, e pratica-se em geral, um tal comportamento ufanista, impregnado de pretensa “vantagem” a qualquer custo, do que é ou parece prático, não necessariamente lícito, mas egocentricamente útil e bom, de um sôfrego imediatismo, de uma maneira direta de proceder, sem necessária ponderação, medições ou rodeios. Ensoberbece-se o espírito com as maravilhosas conquistas científicas, tecnológicas, em todas as áreas do conhecimento humano, mas toma-se limitado tempo à edificação do espírito e do pensamento, decide-se com facilidade, e como se decide . . ., em completa independência, com rapidez em dimensão eletrônica, assumem-se posições, às vezes as mais radicais, opta-se fácil, simplória e impulsivamente por assumir partido, a favor ou contra isto ou aquilo, em aparente domínio de estranha e exagerada soberba e pretensa “sabedoria” ou negativamente assume-se posição cômoda e “prudente” em cima do muro, em assoberbadas e equivocadas decisões e prioridades, que afastam a humanidade e o indivíduo do diálogo leal ideal confiável, de apurada consciência e coerência para explicar-se a si mesmos devidamente, individual e coletivamente, o fenômeno natural ou sobrenatural quanto sociológico da vida, da nossa indiscutível origem e animalidade, da natureza dadivosa e bela, da vida animal e da humana em particular, tão rápida e curta, e apesar de tanta e esbanjada sabedoria ou conhecimento, ainda uma incógnita, sua adequada e responsável vivência, seu papel no limitado e certo compasso pendular do relógio biológico e a sua pretensa inevitável e ansiada transcendência. Quando e como ter e dar respostas inteligentes, adequadas, oportunas, conscientes num mundo que se tornou pequeno, ao mesmo tempo lento para o óbvio progresso do espírito do bem e da bondade e, rápido demais para o nefasto, por mais que achemos maravilhoso o fenômeno globalizante das comunicações tecnologicamente perfeitas mas mal administradas, em sua maioria carentes de espírito, de conteúdo dignificante, edificante. É o que advertimos no espírito inquiridor do prefeito da cidade de Jerusalém que indaga argutamente angustiado e atônito: “...esperamos demais para fazer o que é preciso ser feito, num mundo que só nos dá um dia de cada vez, sem nenhuma garantia do amanhã. Enquanto lamentamos que a vida é curta, agimos como se tivesse-mos à nossa disposição um estoque inesgotável de tempo.". . .

A globalização e liberalização, como motores do crescimento econômico e o desenvolvimento dos países, não reduziram as desigualdades e a pobreza nas últimas décadas, segundo livro divulgado neste sábado pela ONU (Organização das Nações Unidas).

A publicação, que leva o título "Flat World, Big Gaps" (Um Mundo Plano, Grandes Disparidades, em tradução livre), foi editado por Jomo Sundaram, secretário-geral adjunto da ONU para o Desenvolvimento Econômico, e Jacques Baudot, economista especializado em temas de globalização.

E a ciência jactanciosa, pela boca de alguns cientistas como Brian Greene, sentem-se satisfeitos em afirmar que “ Deus Não existe”, porque não podem prová-lo científicamente, embora sua “Teoria das Cordas” que busca unificar as fôrças da natureza, tema em que também se envolveu Einstein, após quase 50 anos de exaustivas e mirabolantes pesquisas, que consomem gigantescas somas de dinheiro, não passa todavia de mera crença e teoria, contestada contudo por outros colegas notáveis cientistas. O homem foge da religião e cria outras tantas religiões num mundo mágico onde tudo é permitido . O problema, segundo outro grande cientista que “não crê” na badalada “Teoria das Cordas” é que “é uma perda de tempo enorme” e segundo afirma em seu livro “Not even Wrong” = “Nem errado é” e de tão ruim jamais poderá ser testada na prática. “ As cordas descolaram do mundo real”. Ou seja estamos neste caso no mundo da metafísica ou da religião, afinal negada por cientistas apressados.

São ansiedades constatadas, perscrutadas aqui e ali, isolada ou coletivamente, apenas dos fenômenos globalizados, sentidos no imediatismo da Urbe, incongruências, crenças e descrenças em nossa cidade e na Órbita de um mundo global que afinal se move, sem sabermos exatamente para onde ou si se move apenas mecanicamente ou por inércia, deixando ainda atônitos os conspícuos e sérios pesquisadores, cultores de intelecto, de ciência e das coisas da matéria e do espírito transcendente, como aconteceu ao grande gênio Galilleu, no século XVI , fatores reais de vivência constatáveis em pleno século XXI, que nos obrigam em alguns casos claramente identificáveis ainda a permanecer na indecisão e impossibilidade de confessar verdades descobertas, convicções candentes da alma, do espírito, da mente ou do intelecto, cuidados rigorosos ao definir VERDADES ou a argutamente ignorá-las por prudência, à espera, à espera, à espera constante e indeterminada do tempo apropriado, em forçada obediência a nefastos e alheios interesses esdrúxulos, escusos, velados, ignorantes, incultos ou inconfessáveis. Soam terrivelmente a meus ouvidos as palavras de Stephen Hawking , o gênio inglês da física e da astrofísica, quando pergunta: “sobreviveremos?” “Como poderá sobreviver a raça humana por mais cem anos, diante de problemas tão sérios como a guerra, o terrorismo, a violência, a corrupção, a poluição, o efeito estufa e outras ameaças, em um mundo que se transformou em verdadeiro caos político, social e ambiental ?” . . . Que diz a cidade e o mundo a tudo isto? Que teremos nós a dizer, cidadãos de uma impressionante metrópole, conspícuos maçons, conscientes intérpretes, cultores da mente e do espírito, tão preocupados e sensibilizados com ela e com o mundo em que milagrosamente ainda vivemos, que teremos nós a testemunhar por meio da nossa já tão aprofundada e acarinhada fé no G:.A:.D:.U:. e, agora por meio da simbólica Loja “URBI ET ORBI” a que pertencemos, recente e auspiciosamente formada? Que temos a dizer sobre o recente e espantoso crime perpetrado pela irracionalidade animal de seres insensíveis, assassinos cruéis do indefeso menino João Hélio? Que cidade e que mundo podemos admitir, quando fabrica ou produz tal animalesca insensibilidade? Que diz o ateísmo científico a estas realidades? Os problemas e desafios são mais graves do que parecem. São muito mais graves e sérios ! . . . São na realidade Dantescos para os que verdadeiramente se atrevem a meditar e a dialogar com eles.

Em uma de suas profundas e independentes reflexões, John Gray, atual consagrado cientista , filósofo e pensador inglês, professor de “Pensamento Europeu” na London School of Economics, colunista do Jornal britânico The Guardian e autor de numerosos trabalhos e livros de premente atualidade, diz em “Cachorros de Palha”: “. . . é uma estranha fantasia supor que a ciência possa tornar racional um mundo irracional, quando o máximo que ela poderia um dia fazer seria dar uma nova aparência à loucura usual”...

. . . “As cidades por todo o planeta da órbita terrestre, são tão artificiais quanto colméias. A Internet é tão natural quanto uma teia de aranha. Nós próprios somos artifícios tecnologicamente inventados por antigas comunidades de bactérias como forma de sobrevivência genética, como escreveram Margulis e Sagan: somos uma parte numa intrincada rede que vem desde a tomada original da terra pelas bactérias. Nossos poderes e inteligência não pertencem especificamente a nós, mas a toda a vida.” . . . “Talvez o que distingue os humanos de outros animais é que os humanos aprenderam a se agarrar mais abjetamente à vida. Os gregos e os romanos preferiam a morte a uma vida sem valor. . . . Algumas verdades não podem ser ditas senão como ficção . . . Uma das poucas afirmações, feita por um escritor, poeta e pensador europeu, ( Fernando Pessoa) de que a morte dos humanos não é diferente da de outros animais, aparece sob a autoria do heterônimo Bernardo Soares:

“Se considero com atenção a vida que os homens vivem, nada encontro nela que a diferencie da vida que vivem os animais. Uns e outros são lançados inconscientemente através das coisas e do mundo; uns e outros se entretêm com intervalos; uns e outros percorrem diariamente o mesmo percurso orgânico; uns e outros não pensam para além do que pensam, nem vivem para além do que vivem. O gato espoja-se ao sol e dorme ali. O homem espoja-se à vida, com todas as suas complexidades, e dorme ali. Nem um nem outro se liberta da lei fatal de ser como é.” . . .

Pinçamos acima frases e pensamentos de gente objetiva, profunda, cientifica e intelectualmente dotada e embasada, a quem lhes resulta difícil admitir outra postura que não a de que o animal homem com sua racionalidade e “inteligência” é o único animal afinal que destrói a casa onde vive. É o aqui, o agora e a realidade, que o homem projeta através dos tempos. Parece não haver lugar para a transcendência nem qualquer oportunidade para dialogar com a dimensão e significado do G:.A:.D:.U:.

Nesse mundo irracional em que a guerra parece ser a mais legítima e constante vocação humana e, o instrumento mais “adequado” para “impor” a paz, desde os primórdios da civilização, mundo em que a ciência afinal não nos dá qualquer esperança a não ser a realidade concreta e fria da objetividade racionalista, resta-nos apenas a humildade da fé transformadora e formadora da consciência que cultivamos, comandada e exigida pelo G:.A:.D:.U:. quando proclama : “Haveis ouvido que foi dito, olho por olho e dente por dente, mas um novo mandamento vos dou, amai-vos uns aos outros” ! . . .

Somente quando a humanidade se conscientize da necessidade de “nascer de novo” poderá dar sentido, esperança e resposta às suas indagações sobre a realidade circundante e o futuro destino humano. Uma cultura científica apenas, não ensina ao homem o que deve fazer; não o ajuda a obter uma visão da vida como um todo. Diz-lhe apenas como é que ele pode TER número crescente de coisas, enquanto que o seu problema real, é um profundo senso da necessidade de SER alguma coisa. No mundo “democrático” dos nossos dias, não existe uma grande idéia, racional ou religiosa, à qual se presta fidelidade comum e que, por seu caráter luminoso, esclareça a significação da vida e proveja a força para palmilhar trilhas da mesma. Fora as histórias críticas da filosofia e as filosofias sugestivas da história, a única coisa que se deixou na cultura democrática com semelhança de opinião mundial é a filosofia da liberdade. Mas esta filosofia da liberdade, este vestígio esquecido de grandeza intelectual, no fundo, não é mais do que liberdade negativa, a proclamação de liberdade política sem implicação de responsabilidade moral. O que se proclama é liberdade de alguma coisa e não liberdade para alguma coisa ou em alguma coisa; e tal liberdade não é a que é somente, a verdadeira liberdade: visão abrangente do todo, sujeição, cativeiro inevitável ao ETERNO.

Uma grande parte da responsabilidade da desmoralização reinante nas relações humanas dos nossos dias, é que o ódio e a vingança têm dominado a política nas relações entre os diversos grupos humanos. A “inimizade” tem sido dominante e progressiva.

“Urbi et Orbi” , palavras que formam um sentido muito particular de dimensão transcendente, que fazem parte tradicional da benção do soberano pontífice da Igreja católica romana, para indicar que esta benção, oferecida em suas enciclicas e pastorais, se estende ao Universo inteiro, num anseio autêntico de edificação e paz. Entretanto, não entremos a examinar tantas das incongruências humanas que historicamente também pululavam e impregnavam a humana vivência no universo da cidade Santa, que contudo enviava suas profundas considerações e preocupações divinas nas mensagens de esperança e fé a todo o ORBI. E como “slogan” Urbi et Orbi tem pleno sentido e apelo in loco e universalmente. Também encontramos “URBI ET ORBI”, usado ligeiramente como clichê de bom marketing, na identificação pública de Agências de viagens, e de um sem número de projetos culturais, pesquisa, ou diversão popular, encontráveis facilmente em breve pesquisa Google, a quem possa interessar-se.

Mas para nós, maçons convictos do poder da fé transformadora, seguidores da inspiração que nos provê o G:.A:.D:.U:. ; URBI ET ORBI, expressa com audácia, valor, arrojo, ousadia intrepidez fundamentalmente amor, a oferecer e a semear consciência e anseio transformador do bem, oferecido a todos os que desejem comungar a santa esperança da fé, do trabalho iluminado e sua transcendência, confiança na melhoria das condições de vida para o aprimoramento do comportamento humano, evidentes clara e principalmente em nosso propósito, testemunho e vida pessoal. “URBI ET ORBI”, por extensão, quer dizer por exemplo publicar, testemunhar, difundir, por toda a parte, Urbi et Orbi, mensagem de paz e edificação para todos, transformação do ego negativo em ego construtivo coletivo. Do eu ao nós, do meu ao nosso ! . . .

Do individual ao coletivo. Tão bem expresso na formosa mensagem do “Sermão da Montanha” acima referida: “Haveis ouvido que foi dito, olho por olho e dente por dente, mas um novo mandamento vos dou, amai-vos uns aos outros” ! . . .

Que tremenda e imensa responsabilidade então recai sobre nossos limitados e modestos ombros, ao perfilharmos para nossa querida Loja Simbólica tão significativo e desafiante nome:”URBI ET ORBI “ !. . .

A visão ampliada do Todo !!!

Não somente o uso adequado da maravilhosa faculdade de ver o imediato do nosso dia, da nossa casa, da nossa rua, dos nossos vizinhos, da nossa cidade, do nosso país, do mundo imediatista que nos rodeia sob o prisma de ego inculto e prevenido, mas o Todo Universal que só a distância, a visão generosa da mente e do espírito conseguem divisar no globo azul a pairar nesse imenso e incrível Universo, templo de realidades dantescas e também transformadoras de transcendência.

Mas estou entretanto profundamente convicto, ser certamente da vontade do G:.A:.D:.U:. que este tremendo e sério desafio seja feito e sobretudo aceite de bom grado por nós em plena consciência, como humildes discípulos obedientes e de fé inabalável, que nos faça aparecer distintos e inconfundíveis ante a mera irracionalidade animal reinante, ante a carência geral da importância e dimensão dessa conscientização moral e ética que nos desafia e rodeia localmente, aqui, em nossa cidade, em nosso país, em nossas instituições públicas e privadas, em muitos lares e lugares, e infelizmente, generalizadamente, no mundo inteiro.

Em cada cidade e no mundo, URBI ET ORBI, crescem e proliferam os aspectos nefastos de uma civilização que se deteriora passo a passo, dia a dia, tendo chegado a um ponto de mutação ainda de incógnita, como prevê Fritjop Kapra, onde sem luz e sem esperança, angustiadamente, clamam por Justiça os desamparados, os desprotegidos, os inconsolados, os carentes, ilúcidos e mal informados ou mal conduzidos, os miseráveis, os com fome, os efetivamente sem terra, os esfarrapados, os manipulados, as vitimas da ignorância crassa, os eternamente incultos e costumeiramente confusos, os incompreensivelmente inconscientes, os pobres de espírito, os dotados de espírito mas discriminados, os atonitamente incompreendidos, os confundidos e deploráveis fofoqueiros e mentirosos, propagadores de ignorância e má fé, os ausentes de fé e convicção, a própria maltratada e sacrificada natureza tão claramente ameaçada de morte irreversível, e com ela a nossa “inteligente e racional” civilização, ansiando todos mitigar apenas sua angústia e perplexidade, à espera constante de sentido para uma vida deprimente, dependente como sempre de caridade samaritana regularmente ausente, vegetativa sempre, cumulativa de angústias, simulacro de vida cheia e plena de esperança corriqueira apenas, mas esperança afinal de que a angústia e ansiedade do dia seguinte seja um pouco menor que a presente, no cego mundo, depressivo, aviltante , de escasso estímulo edificante, vingativo, acusador e fatalista.

Que a voz, a atitude, a consciência, o testemunho, a ação dinâmica da Loja “URBI ET ORBI”, que agora nasce florescente e calidamente nos abriga, imbuída e inspirada do melhor propósito de bem fazer, ao afirmar a fé em postulados transcendentes de superação e realização, vontade de conhecer, pesquisar, estudar para melhor confirmar e testemunhar a crença e a comunhão do espírito, de crer para acertadamente agir, de agir para ser acreditada por seu testemunho e realizações, na lealdade indestrutível de quem tem fé inquebrantável, verdadeira, rumo certo, na vastidão e amplitude do título que ostenta, a afirmar um perfil inconfundível de caráter, sob a égide de uma grande Ordem maçônica que é a GLESP, com a visão da cidade e do mundo em que habitamos, para honra e glória dos ideais que ousamos cultivar, que respeitamos e tanto amamos, para que esta jovem Loja simbólica possa a par da grandeza, do bombástico significado e dimensão do seu nome, com imparcial sentido de justiça, probidade e testemunho, sem deixar jamais de ponderar o bem comum, o respeito essencial e vital entre seus componentes, a fraternidade e o amor, ressaltando e cultivando impreterivelmente o conjunto dos valores que promovem a dignidade, a coerência proba, com a propriedade, elevação, modéstia, dotes, dons, méritos, carência ou potencialidade de seus membros, de suas reais condições humanas; materiais, intelectuais, morais e éticas, para se tornarem vocacionados “semeadores” de fé, caridade, esperança, verdadeiros “pescadores de homens” na expressão bíblica, capacitados a semear e estender o bem, a bondade, a fraternidade e o amor sem fronteiras, dispostos a combater o “bom combate”, com inteligência sem perder jamais a noção transparente da beleza e da verdade, para que no bulício e desafios da “URBI ET ORBI” possam demonstrar com exemplo cristalino, feérico e regular, verdadeira identificação e constância, afirmando a nossa crença numa transcendência e destino cósmico espiritual de perfeição e bondade eternas, ditada e exigida pelo G:.A:.D:.U:. na fraternidade indestrutível do Espírito Santo.

“Para que todos sejam um”. “João 17:21”









Erasmo Figueira Chaves

Past Msster da ARLS "Luz de Luxor", No. 531 / GLESP
Membro Fundador da ARLS “Universirária Urbi ET Orbi", No. 657 / GLESP
Past Presidente da Academia Paulistana Maçônica de Letras
Presidente da AMIL “Academia Maçônica Internacional de Letras”

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Proselitismo Político e os e-Mails

Dia destes recebi mais um e-mail , daqueles de protesto contra alguma coisa, mas que na maior parte das vezes são textos preparados para servirem de “nuvens de fumaça” e desviar a atenção de uma parcela da sociedade que se julga preparada e que “enxerga”em tais e-mails verdades de valor inquestionável.

Parece-me que a “base intelectual” para a produção de tais ferramentas de propaganda política é o radical proselitismo político em prol da implantação de um estado socialista e uma “democracia popular” no Brasil.

O referido e-mail me foi enviado por diversas diferentes fontes. O primeiro que recebi li por cima e descartei pois o considerei apenas mais um examplar do lixo eletronico que circula velozmente pela Internet. Não estava errado.

Entretanto, uma destas fontes o enviou com um título provocador e um comentário pró Hugo Chavez que despertou a minha atenção. Percebi, então, outras intenções em tais "protestos" e "alertas" contra o capitalismo e outras "maldições sócio econômicas" que assolam os países latino americanos.

Mantivemos, então, eu e o meu amigo adepto e propagandista da "solução socialista (bolivariana?)", um diálogo que se desenvolveu através de comentários e respostas aos comentários. Trancrevo este diálogo pela sua possivel importância didática em alertar a respeito de tais "spams ideológicos".

Meu amigo será denominado aqui de AMIGO, para identificar suas manifestações. Identifico-me, nesta sequência de conversações,por Pedra Bruta. Meus comentários adicionais estão em itálico e não constaram da conversação.

Inicie-mos, então, pelo agressivo título do e-mail por mim recebido da referida fonte:

Ao otariado nacional (Leiam até o fim, se forem capazes)
Para ler o texto da mensagem contida no e-mail, CLIQUE AQUI

A mensagem de encaminhamento redigida pelo MEU AMIGO é a seguinte:

"Esses dias, o presidente venezuelano Hugo Chávez botou um cabresto na rede de supermercados franco-colombiana Éxito, que achou que podia desafiar seu governo e remarcar preços impunemente.

A indignação foi tamanha que se a direita hidrófoba do mundo todo encontrasse o diabo e o presidente venezuelano na rua, cumprimentaria o primeiro e lincharia o segundo.

Agora leiam a carta (clique no link acima), enviada por um cidadão de Belo Horizonte, e vejam porque o capitalismo gastou fortunas para exorcizar o comunismo e se volta, agora, contra os socialistas.

Vai continuar roubando a humanidade como sempre fez, contando com a estupidez do otariado, que acha lindo esse estado de coisas."



Fiquei pensando que na verdade este comentário esclarecia bem a tática dos aderentes a um almejado programa socialista e uma sonhada "democracia popular" a ser implantada no Brasil: Fazer a mentira parecer verdade.

Vejam que o texto do e-mail foi "montado" para dar um tom de "verdade inquestionável, baseada em fatos e números" às afirmações "exorcizando o capitalismo e tudo de mal que está a êle atrelado". A tática é rudimentar, ou seja, compara dois diferentes sistemas políticos e econômicos sem considerar os prós e contras de cada um deles e a real conjuntura sócio-política do país. Na verdade não passa de "pancadaria pura e grosseira" ou "baixaria" mesmo. Coisa de prosélitos esquerdistas fanáticos, ignorantes e radicais.

Toda esta propaganda deletéria e que nada contribui para o futuro do poovo e do País, visa apenas turvar e tumultuar o ambiente político e a dura disputa que poderá retirar do poder estas cobras venenosas que estão se fortalecendo com a era Lula para empreender uma jornada política "a la Fidel", ou seja, tomar de assalto (e esta é a palavra exata) o poder pela vida toda, custe o que custar para o povo.

Mais que isso, visa criar dúvidas em parcelas da classe média, capturar o distraído útil e, assim, aumentar as chances de conversão do nosso País rumo ao socialismo e à assim auto denominada “democracia popular”.

As fontes doutrinarias e ideológicas estão à vista: são as águas turvas que jorram de Cuba e da Venezuela, devidamente abençoadas por “intelectuais” de vanguarda, diplomatas a serviço da causa e não dos interesses do País, ”heróis da pátria” beneficiados pela Lei da Anistia de todos os naipes e caras, incluindo alguns ex-terroristas e assassinos, uma miríade de políticos corruptos e fisiológicos abençoados pelo voto popular e prestando enorme deserviço à Pátria ao mesmo tempo que colaboram para "demonstrar que o regime esta falido e que tudo que está aí precisa ser mudado".

É a preparação do terreno para a recepção eletiva de alguns "pais e mães da pátria", sem contar, quiça, que também se encaixa como uma luva como excelente cenário preparatório para a entronização triunfal de algum "salvador da pátria". Se não nesta, quem sabe na próxima, se o povo "aguentar" esperar até lá!

Nos diversos escalões de governo, um objetivo parece a todos unir: Exercer, sem contestações por parte do poderes instituidos e por tempo inderteminado, o inebriante "poder de influenciar pessoas e organizações”.

É um estado pré-hipnótico, letárgico, para manter o povo em estado de prontidão para a grande catarse social que se encontra em preparação avançada.

Por tudo isto ganhar a eleição e manter-se no poder é a prioridade máxima destes "abençoados".


Então, com este cenário em mente, enviei-lhe o seguinte comentário INICIAL:

"Caro AMIGO,

A análise do cidadão belo-horizontino é pobre na sua abrangência, carece de lógica e conduz a sofismas. E nada tem a ver com a questão de controle de preços, velha e infausta prática testada de modo entusiástico durante o governo daquele período denominado de Nova República", lembra-se?

Cordial abraços."

Seguiu-se a resposta abaixo:

"Caro PEDRA BRUTA.

Se a análise do cidadão belo-horizontino é pobre na sua abrangência, eu ainda não ouvi uma rica na sua abrangência.

Abraços."

Avançando um pouco mais o debate, resumi o que segue:

"Caro AMIGO,

Havendo um tempinho vou tentar colocar por escrito o que pensei a repeito daquele comentário.

É bastante valioso aprofundar um pouco cada tema e sair da vala comum da crítica pela crítica, ou por simples proselitismo (de qualquer natureza).

Mas para adiantar o meu racíocio, a questão básica que foquei no meu comentário está relacionada com comparar laranjas com bananas, independentes se são caras ou não.

Como diz o adágio popular: "A noite todos os gatos são pardos."

Cordial abraço."

Uma nova manifestação rapidamente cruzou o espaço cibernético:

"PEDRA BRUTA. Os números estão aí.

Existe uma explicação lógica para o exemplo do orégano?

Quanto à tinta da impressora, trata-se de água e corante.

Eu não sou daqueles que só discute futebol se for a favor do meu time.

Se existe uma explicação para o preço do orégano, eu quero ouví-la.

Abraços."

Provas "irrefutáveis", números "inquestionáveis", fatos, documentações diversas... Ufa! Vamos adiante...:

"Caro AMIGO,

A explicação lógica para a formulação de preços de mercado é uma das disciplina estudadas em cursos de administração de negócios e envolvem a ponderação adequada de uma série de fatores que irão inteferir no preço de venda de cada produto em cada uma das fases da respectiva cadeia produtiva até o preço final que o consumidor irá pagar.
Inclue custos de produção, remuneração do trabalho aplicado, remuneração do capital aplicado, reserva para enfrentamento de riscos diversos, previsão de consumos pelo consumidor final etc.

Como você vê, comparar alhos com bugalhos pode resultar em erros crasos.

Uma importante missão que temos na vida, como pessoas mais instruidas, é lançar luz sobre temas que muitas vezes são tratados sob a égide da mistificação ou do má-fé ou da ignorância.

Cordial abraço,"

Aí entra em cena a "doutrina macro econômica" pregada por alguns doutrinadores "iluminados" ...:

"Formação e política de preços é uma coisa, PEDRA BRUTA.

Achaque é outra completamente diferente."

Não é fácil. o argumentador é incansável na defesa de dogmas! Continuemos...:

"Caro AMIGO,

Tinta para impressora deveria ter política de preços? E o orégano, também?

Veja que esta mescla de laranja com bananas é realmente inspira mistificação ou má-fé ou mesmo simples ignorância. Quiçá uma bem temperada mescla de tudo isto ou fruto de um espírito simplório.

Cordial abraço."

Neste ponto entram cena os números que comprovam a "obscenidade" do regime capitalista que a tudo e a todos lesa... A conversa continua:

"PEDRA BRUTA.

Vamos ficar no exemplo do orégano, que é vendido nos supermercados em saquinhos de 3 a 10g, como afirma o belo-horizontino, ou R$ 633,00 o quilo.

Se vc. consultar a cotação do último dia 7 dessa especiaria, na Bolsa de Cereais de São Paulo,

Jornal "A Folha de São Paulo": Indicadores de Preços

verá que o quilo do orégano chileno a granel foi vendido pelo preço médio de R$ 2,55. (confira abaixo e faça as contas).

Política de preços, caro PEDRA BRUTA, é um dos instrumentos de controle
da inflação.

Envolve todo e qualquer produto.

Leia esta definição superficial de inflação:

Site Renasce Brasil: Inflação

e constate qual é sua principal causa.

Você não lembra dos aumentos abusivos do feijão nos anos 70, não?

Aumentos que nada tinham a ver com inundação, quebra da safra, nada.

Especulação pura.

Quem reclamava do preço do feijão naquela época era tachado de comunista."

Ufa! O incauto neste ponto já está quase que convertido ao "modelo" e querendo mudar "tudo que está aí..." menos, claro, os ditos "salvadores da pátria". Bem, continuemos:

"Caro AMIGO,

- Qual é o peso do óregano no cálculo da inflação? Orégano é um produto essencial? Deveria estar na composição da inflação?

- Como se controla a inflação? Controlando preços? Que preços controlar? Como pagar o produtor de um produto de preço controlado?

- O governo pode suprir todos os produtos emandados pelo mercado e assim controlar os preços, uma vez que será o único contribuinte da cadeia produtiva? Neste caso como manteremos o governo produtor / regulador? Como controlar preços de produtos essenciais que estão fora da capacidade de produção do tal governo nacional?

Aí então estamos entrando em outro tema bastante interessante: a macroeconomia. Olhando para trás, posso afirmar que, felizmente, o atual governo do Brasil ainda não se aventurou a grandes mudanças nesta área (apesar dos "exemplos" vindos de alguns "compañeros y camaradas de luchas") e por isto mesmo estamos com a inflação controlada em limites civilizados.

Cordial abraço."

Aí a "coisa pegou"... E dá-lhe numerologia "socialista". Veja lá:

"Caro PEDRA BRUTA.

Pelo jeito vc. não leu o link que te mandei mostrando a definição de inflação e como ela se forma.

Começa com o preço do orégano e descamba pra tudo, porque não há controle, não há freio, não há limite.

Veja alguns ítens que não entram no cômputo da inflação, mas impactam fortemente os preços de tudo:

Veja como agem os Gersons:

Anúncios sobem 200% acima da inflação

Reajustes abusivos, muito acima da inflação.

A ordem é levar vantagem e danem-se os prejudicados.

Veja mais esses dois exemplos:

Cartucho HP 78, de 19 ml, R$ 89,90 na Saraiva.

Preço de cartucho de tinta

R$ 89,90/19ml = R$ 4.73 por ml.

R$ 4,73 x 1000 ml = R$ 4.731,57.

Um litro da tinta utilizada no cartucho

HP 78 custa, então, R$ 4.731,57.

______________________________________________

TV LCD 42 polegadas Full HD 1080p 240Hz -
Conversor Integrado - LG Live Borderless 42SL80YD no Magazine Luiza:

Preço de TV LCD 42"

De R$ 5.199,00

Por: R$ 3.999,00

ou 12x de R$ 333,25 sem juros no cartão de crédito

Se vc. pagar à vista, no boleto, ainda leva 6% de desconto.

Vai levar a TV, então, por R$ 3.759,06.

___________________________________________


Essas empresas escroques não precisam do cabresto do Hugo Chávez.

Precisam é de pelotões de fuzilamento."

Imaginem só o que poderia vir a acontecer com uma eventual "queda da bastilha" e o certos extremistas travestidos de "donos da verdade" e revestidos do "poder popular para julgar e sentenciar"...

Seria o melhor dos mundos, um verdadeiro "passeio no parque" para certas organizações que apesar de não existirem legalmente, de fato recebem até mesmo ajuda governamental. Afinal são "vitimas do degradante sistema capitalista" e precisam resgatar as suas liberdades e direitos cerceados pelo "sistema que está aí".

Para o povo em geral, mêdo, escravidão e jugo cruel!

Ufa! É mole? mas continuemos mais um tanto...:


"Caro AMIGO,

Entre outras defesas, o consumidor não é obrigado a comprar orégano (nem tinta para impressora, nem mesmo impressora), pode pesquisar o menor preço, pode mudar de marca.

Creio que o site indicado (para explanar sobre inflação) comete a mesma falha de conceito que aquele cidadão patriota lá de BH. Confundir inflação com preço alto (devido a impostos ercochantes, entre outros fatores) é algo que que a população brasileira já não mais erra.

Então não trata-se de argumentos. Trata-se de dogmas. Talves em outro regime a riqueza possa ser gerada em maior escala e melhor distribuida. Veja os exemplos que temos ao redor do mundo e ao longo da história.

Cordial abraço,"

-------------- Tempo! Ainda não recebi a próxima resposta.

Moral da história: DEIXEMOS REALMENTE DE SER OTARIOS! VAMOS PASSAR A FILTRAR O EVENTUAL LIXO ELETRÔNICO QUE RECEBEMOS ATRAVÉS DO INOCENTE E FAMOSO RECURSO "SÓMENTE REPASSANDO...".

MAIS AINDA,DEVEMOS EVITAR CEDER ESPAÇO EM NOSSAS REDES DE CONTATOS PARA MENSAGENS QUE TENHAM POR INTENÇÃO DIRETA OU INDIRETA A SUBVERSÃO DOS VALORES GENUINAMENTE DEMOCRÁTICOS DURAMENTE CONQUISTADOS PELO POVO BRASILEIRO AO LONGO DE ANOS.


Recomendo aos leitores do BLOG que NÃO REPASSEM E-MAILS “DE PROTESTO” SEM UMA ANÁLISE CRÍTICA PRÉVIA, pois em alguns casos (se não for na maioria deles) você estará apenas sendo usado para infiltrar conceitos "socialistas bolivarianos" em sua rede de contatos.

Lição: Compare o valor de uma MILITÂNCIA POLÍTICA AGUERRIDA versus os RISCOS MORTAIS de uma PASSIVIDADE bovina ou de um FISIOLOGISMO degradante. A participação na vida e na organização política de uma nação é OBRIGAÇÃO de todos, especialmente aqueles que lideram e influenciam porções expressivas da Sociedade.

Recomendação: Mantenha alerta! Não voto errado e não seja voto útil.

Lamento pelo mal causado por políticos do naipe do Governador Arruda que se servem da Maçonaria para ampliar seus votos, confudir e lesar o povo. São pseudo-maçons que devem ser purgados e esquecidos pela nossa Instituição, para sempre. O maçom, na sua participação na vida social, pública e privada, ao invés de fazer proselitismo da sua condição, deve, isto sim, dar exemplo e testemunho que suas ações, sua mente e seu coração é bem formado nas virtudes teologais e amadurecido nas cardeais.

Que a VIGILÂNCIA que possamos exercer sobre nós mesmos e sobre os nossos pares no sentido ajudar a construir uma sociedade formada em bases sadias e com esperanças em um futuro melhor seja pedra angular para o nosso APERFEIÇOAMENTO PESSOAL E COLETIVO.


Seus comentários serão bem-vindos.

Cordialmente,














Leia também:

Chávez colocar exército nas ruas contra inflação é maluquice


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Chile

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

"O Símbolo Perdido", por Dan Brown

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Um século de letras

Em 27 de novembro de 1909, um médico do Rio de Janeiro, mas radicado em São Paulo, instalava a Academia Paulista de Letras. Doze anos antes Machado de Assis dava à luz a Academia Brasileira de Letras, que seria inspiração para as que surgiriam nas diversas unidades da Federação e tivera a francesa por modelo. O propósito dessas confrarias era congregar pensadores para implementar - ao menos no mundo das letras - o federalismo, de tão difícil consecução na República neófita.

Continua polêmica a ideia de academia de letras. O academicismo é expressão com fisionomia pejorativa. Tem conotação de pedantismo, de anacronismo, postura infensa a inovações. Pode ser utilizada como sinônimo de um espírito convencional, pouco criativo, artificioso e pretensioso. Daí o repúdio de alguns literatos que se consideram libertos e já posicionados acima das vãs gloríolas acadêmicas.

Nada obstante, a ideia de academia ainda atrai uma tribo de espécimes singulares. Na volúpia de uma era do efêmero, da incerteza, do descartável e cada vez mais transitório, é saudável um espaço para a reflexão e o debate. As sessões da academia podem ser pós-graduação em literatura, filosofia ou especulação científica, se vencida a estiolante opção pela mera leitura de atas das sessões anteriores. Desde que assumi a condição de titular da Casa de Cultura do Largo do Arouche, aprendi muito com as preleções de Miguel Reale. Espírito superior, talentoso e genial em todas as esferas de uma atuação prolífica e duradoura, dissertava sobre temas permanentes e nunca deixou de prestigiar as reuniões das quintas-feiras.

Mero perpassar d"olhos pelos nomes que honraram a Academia Paulista de Letras permite concluir que ela foi o repositório da intelectualidade bandeirante. Mencione-se, por mera e aleatória amostragem, a presença de Alcântara Machado, Macedo Soares, Cândido Mota, Alfredo Pujol, Mário de Andrade, Washington Luís, Goffredo da Silva Telles, Plínio Salgado, Honório de Sylos, Aureliano Leite, Paulo Setúbal, Cassiano Ricardo, René Thiollier, Maria de Lourdes Teixeira, Arrobas Martins, Sud Mennucci, Roberto Simonsen, Ibrahim Nobre, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Ricardo Ramos, Julio de Mesquita Filho, Ataliba Nogueira, Spencer Vampré, Alfredo Buzaid, Altino Arantes, Afonso Taunay, Sérgio Buarque de Holanda, Vicente de Carvalho, Monteiro Lobato e Menotti Del Picchia. Quem pode recusar a essa instituição o dom de congregar o que de melhor produziu a cultura de São Paulo?

Os objetivos de sua permanência continuam fiéis ao ato criador - a tutela do vernáculo, o estímulo à escrita e à leitura -, mas ela não pode fugir aos novos reptos. A República Federativa do Brasil ainda não chegou ao estágio republicano ideal, nem ao grau de federalismo que reflita aliança baseada na igualdade democrática. Tudo isso pelo déficit de maturidade política, mas sobretudo pela deficiência da educação.

Confundir educação e escolarização formal foi característica presente no decorrer destes 120 anos de vivência de um regime que tem muito a se aperfeiçoar até que se aproxime dos anseios da nacionalidade. O processo de autoaprimoramento é compromisso perene e definitivo. Continua válido o comando oracular que Sócrates perpetuou sob a fórmula "conhece-te a ti mesmo". Perscrutar o infinito universo da consciência humana e decifrar o enigma do destino dessa espécie que se considera a única racional é a missão de que a lucidez não se pode descuidar.

A academia tem algo a oferecer a esse projeto de disseminar a prática da reflexão e fortalecer a opção pela educação permanente. Seus integrantes já não precisam submeter-se ao ritual imposto a quem se proponha a conquistar espaços. Eleitos pelos pares, já tiveram avaliado o seu currículo. Podem se entregar, sem o estigma da competição, à especulação desvinculada de outros objetivos que não o deleite intelectual. Podem e devem ser motivados a repartir suas habilidades e experimentos com uma legião de destinatários. Partilhar o conhecimento com a infância e a juventude já constitui opção de vida de alguns acadêmicos. Não é impossível contaminar os demais, vencido o núcleo de resistência que ainda enxerga o convívio acadêmico sob a ótica de um clube fechado, sem compromisso algum com a comunidade.

Não é esse o espírito da maior parte dos membros da Academia Paulista de Letras neste ano de seu centenário. Eles prestigiaram a tese de que é urgente devolver à comunidade o amealhado em décadas de aquisição de sapiência. Por isso participaram da verdadeira perestroika desta gestão. Acataram o chamado ao protagonismo, que se traduziu em presença física a dezenas de reuniões realizadas nos mais distintos auditórios. Poder público, instituições parceiras, organizações, empresas e espaços os mais variados conviveram o ritual acadêmico das sessões semanais.

A Academia Paulista de Letras foi reconquistar a atenção de São Paulo, mostrou-se viva e disposta a assumir papel reforçado no despertar de uma consciência renovada. A consciência de que um povo que não lê e não escreve tende a persistir na servidão incompatível com o supraprincípio da dignidade da pessoa humana. Uma vez detectada essa vocação, que durante algumas décadas foi acometida de parcial letargia, ela nunca mais será a mesma. Não se consegue segurar o vento com as mãos. Neste caso, o vento saudável da renovação, animada pelo voluntarismo de fazer a diferença na cena cultural de uma unidade federativa com a exuberância e a complexidade de São Paulo.

Mercê desse despertar consciente e motivado, a Academia Paulista de Letras prestará fecunda contribuição à causa cultural da Nação e nunca mais será o mesmo cenáculo de tempos idos. Nobre, sim. Gratificante, não menos. Mas propenso a uma autossuficiência inviável em tempos de partilha, de solidariedade e de construção conjunta de um promissor destino comum.

José Renato Nalini, desembargador do Tribunal de Justiça de
São Paulo, é presidente da Academia Paulista de Letras


Publicado no jornal "O Estado de São Paulo" - Sexta-Feira, 27 de Novembro de 2009

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sábado, 21 de novembro de 2009

Lula, o Filho do Brasil




Para ler a reportagem publicada pela Revista VEJA, CLIQUE AQUI


Leia também: Propostas para a era pós-Lula


Leia também: A arrogância como ameaça


Leia também: Vacas de presépio que se fazem de pastores


Leia também: 'FT': mérito de Lula é continuar FHC



Será este, um passo decisivo na construção (digamos, supostamente oportunista) de um mito brasileiro? Ou trata-se apenas da sua divulgação, pois mito que é mito já nasce feito...

A partir de agora, volta revigorado à cena cotidiana (em concorrência direta com a novela das 9...) o tema central da nossa sui-generis democracia (em construção acelarada)...

Entre outros benefícios este novo, eletrizante, biográfico e histórico multimídia, deverá...

- contar uma das mais importantes páginas (senão, a mais) da História "deste País"...

- eletrizar as multidões de fans brasileiros e estrangeiros, que sabiamente (vox populi) acreditam "neste País"...

- comprovar que as sonolentas e ignaras minorias adversárias não acreditam "neste País" (desnorteadas que estão pela sua falta de cultura democrática, falta de visão e falta de "esperança")e apenas insistem em negar o inegável (soa familiar?)...

- animar horas a fio de debates intermináveis sobre os destinos "deste País"...

- ajudar a "engulir" (soa profético...) redondo "este País" enquanto sorvendo aquela "loira" gelada...

- colocar nos devidos trilhos eventuais e obscuras pretensões e esforços de "el hermano muy amigo" para impedir a liderança regional, internacional e, quiçá, sideral "deste País"...

- motivar brindes com legítima "branquinha" os grandes feitos que já estão garantidos para "este País" predestinado...

- etc e tal...

Além acima arrazoado, você pode enumerar outros valiosos e sacrosantos benefícios decorrentes da felicidade deste "abençoado" nascimento ter ocorrido "neste País"...

Claro, a "mãozinha" dada pela GLOBO a "este País" tem sido valiosa...

Pois eis que até mesmo uma rendazinha extra com a vendagem da estória da maior epopéia "deste País" é capaz de gerar para alguns ou para muitos. Não era este o objetivo, mas fazer o que, né, milagre é milagre!

Um dia, quando cair no domínio público, o multimídia poderá ser distribuido e apreciado nas escolas do sistema de ensino público "deste País"...

Até lá, é comprar ou alugar...

Lembre-se que piratear não vale "neste País"!

Ufa... será que o "ómi" chama "País"?!

Para conferir é só aguardar mais alguns anos...



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AMIL - Encontro Internacional



AMIL
Academia Maçônica Internacional de Letras

INTERNATIONAL MASONIC LITERARY ACADEMY

II INTERNATIONAL MEETING

Local: MASONIC TEMPLE
The Grand Lodge Of Free & Accepted Masons of Pennsylvania
Philadelphia – Pennsylvania
29 a 31 de Outubro de 2009

















Na foto acima, ao centro o Irmão Antonio Simões, Presidente da AMIL para os EE.UU. e na frente da Bandeira está o Vice-Presidente para os EE.UU e próximo Grão-Mestre da G.L. da FILADÉLFIA.
















Flagrante da palestra proferida pelo ilustre confrade e Ir. Sérgio Borja, dia 31 de Outubro passado, por ocasião do Encontro de Filadélfia. Para visualizar o paper apresentado pelo Ir. Borja, por favor clique no logo PDF abaixo.

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domingo, 15 de novembro de 2009

JORGE de SENA










Colaboração enviada pelo mui estimado amigo, Irmão e Confrade

Bernardo Martins Pereira

Ilustre Presidente Internacional da Academia Maçónica Internacional de Letras - AMIL

Lisbôa, Portugal.


Intróito

Jorge de Sena era filho Único de Augusto Raposo de Sena e Maria da Luz Grilo de Sena. Nasceu em Lisboa em 02 Novembro de 1919. O Pai era Açoriano e a Mão Beirã, natural da Covilhã. O Pai, Comandante da Marinha Mercante. A Família da Mãe, de Origem Transmontana, Cristãos Novos, Judeus “convertidos”. Eram Famílias da Alta Burguesia. A Avó materna era pessoa muito culta e viria a ter grande influência em Jorge de Sena. A Avó Paterna era amiga de Fernando Pessoa, o qual Sena viu várias vezes lá em casa, quando ainda não imaginava quem ELE fosse. Sena cursou o Liceu no Colégio Vasco da Gama que virou Colégio de Freiras e terminou por isso os estudos liceais, no Liceu Camões. Que coincidência interessante! Veremos à frente a importância de Sena, na divulgação, análise e “TRADUÇÃO”, da obra de Luis de Camões. Da Poesia? Outra coincidência! Um dos seus Professores no Liceu Camões, na disciplina de Físico-químicas, era um jovem em inicio de carreira, chamado RÓMULO DE CARVALHO, que viria a ser o Grande Poeta Antonio Gedeão. “Não é GEDIÃO”. Ingressa na Escola Naval, como n.º 1 do curso. Como Oficial Cadete, visita Cabo Verde, São Tomé, Brasil, Angola, Ilhas Canárias. É demitido da Marinha de Guerra. “Mau feitio” segundo os ditames do Estado Novo. Entres as Batalhas Familiares para seguir a carreira das Armas e os defensores das Profissões Liberais, houve uma solução de compromisso. A Engenharia! Que completou em 1944 na Faculdade de Eng. Do Porto. Começou a escrever em 1936, (mal!) e de 1936 a 1939, vai desenvolvendo sua cultura literária, sem qualquer convívio com os meios respectivos e quando A PRESENÇA publicou em 1939 o poema APOSTILHA, de Álvaro de Campos, como inédito, enviou uma carta chamando a atenção que esse poema havia sido publicado vários anos antes, no NOTICIAS ILUSTRADO, com variantes. A seria publicada, por simbólica coincidência, no último numero daquela revista, em Fevereiro de 1940. Troca a esse propósito correspondência com Adolfo Casais Monteiro, que havia acusado a recepção da carta e viria a dar origem a uma entrevista no 1.º andar do “falecido” café chave D’ouro no Rossio, (ou Praça dom Pedro IV (ou Dom Pedro I para o Brasil), local que então era O CENTRO DO MODERNISMO. Havia várias Presidências de mesa, ao tempo CORDIALMENTE HOSTIS umas ás outras, e que eram regularmente ocupadas por Gaspar Simões, Casais Monteiro, e José Osório de Oliveira. Foi aí que Sena conheceu “OS RAPAZES” dos cadernos de poesia. É no segundo n.º desta publicação, que são impressos os seus primeiros poemas, sob o Pseudónimo de Teles de Abreu (apelidos seus de família). Estávamos em 1940. Em 1945, Sena começa a exercer o cargo de Eng.º na Direcção Geral dos Serviços de Urbanização e na Junta Autónoma das Estradas, para cujo quadro entrou, e do qual viria a sair em 1959 ao fixar residência no Brasil. Só em 1952 é que sai para a Europa, numa viajem a Inglaterra. Desde então, viajou muito por Espanha, de novo Inglaterra, Bélgica, e França. Convidado a tomar parte no IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, pela Universidade da Bahia e pelo Governo Brasileiro, em Agosto de 1959, partiu para o Brasil, onde aceitou o convite para ficar como Catedrático contratado de Teoria da Literatura, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de ASSIS, Estado de São Paulo. Em 1961, transfere-se para a Faculdade de Filosofia, Ciências e letras de ARARAQUARA. Viria a licenciar-se do cargo, em 1965 para aceitar o convite dos Estados Unidos da América, tendo pedido a demissão do cargo em 1967, para se fixar nos EE.UU. No Brasil deu cursos ou Conferencias em na UNIVERSIDADE DO BRASIL, do RECIFE, CEARÁ, MINAS GERAIS, BAHIA, e fez parte da comissão do Ministério da Educação Nacional que propôs a reformulação dos CURRICULA superiores de letras. Na Universidade de São Paulo, foi membro de vários júris para Doutoramento, livre docência, e Cátedra. Em 1964, após várias dificuldades BURROCRÁTICAS e Politicas, Jorge de Sena consegue defender tese de Doutoramento em Letras e Livre docência em Literatura Portuguesa, e os títulos Académicos foram-lhe atribuídos com distinção e louvor. O Júri era composto por Catedráticos das Universidades do Brasil, (Rio de Janeiro), São Paulo, Minas Gerais, e Bahia. A sua tese são os Sonetos de Camões e o soneto quinhentista peninsular. Nos EE.UU., fixa-se a partir de 1965 na Universidade de Wisconsin (considerada ao tempo umas das top ten dos EE.UU.) para a qual havia sido convidado. Após dois Anos como visiting professor, pede demissão de seu cargo no Brasil e é nomeado Professor Catedrático do departamento de Português e Espanhol daquela Universidade. Fez conferencias em várias Universidades Americanas, Membro da MODERN LANGUAGE ASSOCIATION e da RENNAISSANCE SOCIETY OF AMÉRICA, tendo sido eleito ACADÉMICO DA HISPANIC SOCIETY OF AMÉRICA em 1966. Foi crítico Literário do Mundo Literário, de Teatro na Seara Nova e na Gazeta Musical e de TODAS AS BARTES, conferencista sobre cinema nas secções do Jardim Universitário de Belas Artes, além de Artigos publicados em vários Jornais, como o Primeiro de Janeiro, Noticias, Comércio do Porto, entre outros. Tem livros traduzidos em Espanhol, Francês, Italiano, Inglês, Alemão, Croata, Lituano.

Eis uma breve resenha à guisa de Curriculum daquele que é considerado O MAIOR depois de Pessoa. Para algumas referências biográficas, CLIQUE AQUI.. Outras referências podem também ser encontradasneste outro link.

Jorge de Sena era um HOMEM INTEIRO. Para ele não havia CONDESCENDENCIAS para a MEDIOCRIDADE, LAMBE-BOTAS e quejandos. Era UM MAL-AMADO, pela sua intransigência e verticalidade. De Cultura IMENSA, não esperava que lhe fizessem justiça depois de morto. Vejamos este Poema:

VER

No coração mental das tuas flores perdidas
Há um pequeno núcleo enegrecido,
Que enegreceu à falta de o olhares.
Não julgues, olha-o,
Olha-o por amor da minha vida.
Verás que se desdobra imaculado.
Estarei pensando fugidiamente em como
Será que o olhas. Nada mais farei.

II

No ténue perpassar de nuvens cuidadosas
Como flores que abriam no silêncio de outras,
A mim próprio escuto, e os olhos com que vejo
São minha voz falando o tempo de passarem
Mais outras nuvens, qual a vida ao sopro,
Ao invisível sopro ou chama ou só altura
Interiormente aberta ao espaço que a rodeia.
A mim próprio escuto, eu sei. Mas não de mim,
Que alheio vivo a vida que em mim fala.
Como as nuvens que passam cada vez são outras
A quanto escuto ignoro ou esqueço ou nem contemplo,
Abertos olhos, meu destino além
De mim, de tudo eu próprio sou porque
Já fui e não serei, ou serei sempre mais
De meu destino a essência que lhe dou
Na extrema contingência de tornar a ser.

Jorge de Sena era um Homem paradoxal! Não no sentido de que o paradoxo é o contrário da verdade, mas sim a verdade vista do lado contrário. Talvez por isso os seus volumes de notável recorte, sobre ANDANÇAS E NOVAS ANDAÇAS DO DEMÓNIO, não encontraram junto do Público a receptividade que “ DE DIREITO” lhe caberiam. Mais estranho porém, terá sido o facto de os que neste País condicionavam, ou imaginavam condicionar, a sensibilidade dos leitores anónimos. Diria Eduardo Lourenço; Jorge de Sena não é um autor fácil. É um autor, e um autor nunca é fácil. Ainda subsistiam muitos resquícios dos MODERNOS Savonarolas, nos nossos meios culturais. Mas Jorge de Sena seguiu o seu rumo, indiferente às “coisas pequenas”, ciente de que era GRANDE! Continuando E. Lourenço. O que realmente distingue a sua obra, não só no panorama Nacional, onde o seu caso tem foros de insólito, como no contexto mais geral da cultura contemporânea, é o facto dela constituir uma meditação a que a História da Cultura, mormente a literária e espiritual, serve de mediador privilegiado e, por vezes, único. Decerto, o exemplo de um Jorge Luis Borges poderá ocorrer quando se pensa na obra de Jorge de Sena. As diferenças, porém, são bem mais significativas que uma certa exterior analogia. A Obra de Jorge Luis Borges é uma insólita expressão de cultura-ficção, de literatura da literatura, um labirinto sofisticado construído com materiais culturais ou pseudo-culturais como forma da impensabilidade radical do Tempo. O bibliotecário genial de Buenos Aires mediu como que a vacuidade dos livros e resumiu-a no mito de um Livro eterno e inacessível do qual todos procedem e ao qual todos reenviam. Num sentido preciso, a obra de Borges já não faz parte da literatura, vive dos seus limites, glosa a sua radical ilusão e o seu histórico fim. Não é exactamente deste tipo a relação de Sena com a Cultura. Esta é a vida simbólica, a experiencia ardida mas ardente dos homens, o fogo sob a cinza a que conhecimento, vigília e honesto estudo permitem aceder. Nesta fornalha sempre presente meterá as mãos como erudito para remodelar ou se inventar uma figura ou uma época conforme à sua exigência de homem actual, mas mais profundamente ainda a fantasia e a imaginação para transfigurar miticamente as sua mais fundas experiências e intuições de homem e de poeta. Por mais que na obra de Sena se manifeste a omnipresença de uma consciência superior à matéria que informa, por mais que uma dialéctica irónica, nos mostre um autor hiper-consciente dos seus dons e do domínio que sobre eles exerce, num virtuosismo sem imitadores pátrios, o jogo prodigioso que se desenrola nas suas páginas nada tem de artificioso. Esse jogo conhece-se como jogo histórico, está penetrado de ecos, disputas, e combate, alegoria e extreme realismo. O resultado é uma maquinaria literária de uma extravagancia sabiamente ordenada sob a qual corre sem fadigas uma confissão tumultuosa e límpida por interposta pessoa, confissão num sentido mais fundo que aquela que “diz” o seu óbvio pois nela se engloba a voz que o “não-diz ou o tenta, ou o diz mais alto através dos Marcos Semprónios, dos Camões ou do Físico Prodigioso, presenças perturbadas e perturbantes, do muito admirável livro que se chama NOVAS ANDANÇAS DO DEMÓNIO.

Mestre Emérito de Teoria da Literatura, Poeta, Prosador, Dramaturgo, ensaísta, ficcionista, Critico, Tradutor, que “não conseguiu” ser Profeta em sua terra, porque Jorge de Sena era Grande demais para a pequenez das mentalidades retrógradas que sobreviviam aos Coronéis do lápis azul da Censura prévia. Mas vejamos o que diz o próprio, em entrevista dada em Abril de 1968. Ainda não “havia” Maio de 1968!

Pergunta:

Há quem o acuse de susceptível e agressivo. Concorda que o é?
Resposta:

Realmente? Julgava eu que esse mito já havia passado, por se ter revelado inoperante para neutralizar-me e destruir-me. Mas, se acaso sou susceptível, tenho a susceptibilidade dos exigentes e dos arfáveis, honestamente afáveis. E, se sou agressivo, é só a agressividade do muito amor. Eu não perdoo a ninguém a mediocridade, a estupidez, a vileza, a malignidade, a incultura, a suficiência, a intolerância, o espírito de compromisso, a cobardia moral, etc.
Neste caso, não é “assim falava Zarathrusta”! É, ASSIM FALAVA E PENSAVA JORGE DE SENA, pela pena do próprio.


PERGUNTA:

Não é novidade para ninguém que vc. É um dos seus mais seguros admiradores. Mas a frequência com que proclama o seu talento, ou a “obrigação” e necessidade que parece sentir em proclamá-lo não denunciarão uma certa insegurança, a par, naturalmente, da recusa a falsas modéstias?

RESPOSTA:

É um engano total. Não sou. A Única razão pela qual parece que eu proclamo a cada instante o meu talento é porque, até muito recentemente, se eu o não fizesse, ninguém o faria. E, se eu sou agudamente sensível a todas as formas de injustiça, haveria de deixar que ela se exercesse impunemente comigo? Poucos escritores portugueses de relativo mérito deverão tão pouco à crítica como eu. De todos os sectores, o silencio ou o amesquinhamento foram de regra durante quase trinta anos. Onde está a bibliografia a meu respeito durante trinta anos? Com raras e dignas excepções, eu, durante anos, recebi apenas dedicatórias de livros ou cartas particulares, ou devotadamente admiradoras, mas onde estão os equivalentes públicos de tanta admiração dos meus ilustres camaradas? Uma ou outra dentada em prefácio, quando muito. Elogios “À CONTRE-COEUR” em histórias literárias é o mais que eu recebo, quando notórios medíocres são coroados de flores, por serem suficientemente reaccionários, ou suficientemente “dos nossos”. (dos “nossos”, entenda-se no contexto, os companhons de route do Partido Comunista). Dado que eu não acredito em nenhuma forma de imortalidade, e tenho erudição bastante para saber que cemitérios são as bibliotecas e as histórias literárias; e dado ainda que não me dou a participar de partidarismos que me ofereçam, por substituição, a ilusão da imortalidade, será bem clara a razão de exigir o re3conhecimento que me cabe pelo muito e bom que tenho feito. Tenho horror de falsas modéstias, de facto. Mas tenho ainda mais horror da mediocridade que se compraz em recusar-se a reconhecer o que a excede. Não, não sou um dos meus mais seguros admiradores. Se o fosse, seria como a maioria dos membros da vida literária portuguesa, tão satisfeitos de si mesmos que escrevem sempre um livro pior do que o anterior. O Problema não está em eu me considerar muito grande--- mas sim em os outros serem, na maioria, tão pequenos. De resto, devo acrescentar uma palavra de justiça e de grato reconhecimento: foram muitos dos pequenos que não se julgam grandes, e aos quais durante anos não dei uma palavra de correspondente louvaminha, quem honestamente, e com isenção, se ocupou mais de mim do que a critica oficial das várias chafaricas individuais ou colectivas. A eles devi, por muito tempo, um comovente incentivo que muitas vezes não recebi de amigos. E, ainda quero fazer uma pergunta: quantos escritores de categoria se têm ocupado tão largamente e tão numerosamente dos outros seus contemporâneos, como eu fiz durante trinta anos? Quantos? O mais que fazem é louvar às vezes um medíocre ou desenterrar um morto, com medo da sombra que lhes seja feita. A diferença entre mim e eles é que não temo o juízo do futuro, e não procuro tapar o sol com uma peneira. Não: a minha segurança é total e absoluta: ninguém pode destruir-me senão eu mesmo.

SETE SONETOS DA VISÃO PERPÉTUA

I
Anos sem fim, à luz do mar aceso,
Te vi nudez quase total, tão grácil
Figura juvenil, ambígua e fácil,
E ao longe às vezes totalmente nua

Em só relance de malícia crua.
Tudo isso me atraia e me afastava,
Embora a vista, retornando escrava,
A teus lugares me tivesse preso.

E quase sempre então tua figura,
Sentada estátua, ou falsa sesta impura,
Lá era, ao sol, o tempo congelado.

Hoje, subitamente, tu não viste
Ninguém senão o meu olhar quebrado,
E com lenta inocência te despiste.

Mas quantas rugas no sorriso ansiado!

II

Como velhice esta agonia desce
Ao fundo em que me encontro só comigo.
E quanto amor trocara então contigo
Enfim te dando o que sonhara em anos

Se torna apenas máscara de enganos
Com que te aceito, como amor antigo,
Esse momento de ansiedade e perigo
Que no teu rosto as rugas te recresce.

Tu sabes que de perto a juventude
Se te queimou no acaso das entregas;
E quanto risco a tua imagem corre

Quando não está tão longe que me ilude,
Nem já tão perto que de ciência chegas
A presumir a graça que não morre.

Mas, porque sabes, tua graça negas.

III

Não mais! Não mais! Que eu esqueça que te tive,
E tu me esqueças debruçado em ti!
Que tudo seja como outrora eu vi:
Uma figura ao longe recortada,

E fina e esbelta, ou suave e alongada,
não tão distante que me não entendas,
nem tão perto de mim que tu me vendas,
no mesmo corpo belo, o que não vive

nesse teu rosto, ou sob a tua pele:
uma malícia esplêndida, capaz
de se entregar violenta quando a impele,

sem mais que orgulho, a força juvenil.
Assim será que, em mim, teu corpo jaz.
E sem nos lábios o sorriso vil.

Mas como há-de teu corpo em mim ter paz?

IV

O que o teu corpo foi, não imaginas:
A juventude, a força, a agilidade,
A fantasia obscena, a intensidade
Com que dos gestos se constrói prazer.

Mas isso ele foi em sonhos. Hei-de ver
Teu corpo assim, ou como o possuí?
Ou hei-de vê-lo como ao longe o vi?
Ou como estatua, em lixo de ruínas?

Jacente dormirá, estendida e pura?
Mas como dormirás, se em mim não dorme
O tempo que a teu rosto ainda tritura?

Como nos mata esta velhice enorme!
Que vinha vindo entre nós dois, tão dura,
Que melhor fora te tornar informe…

Ou sombra dúbia pela noite escura.

V

No claro dia passas lentamente,
Fingindo não me ver. Será que tu
Sentiste quanto no teu corpo nu
Não encontrei, menos que a tua, a minha

Memória de ser jovem? Adivinha
A tua carne mais que o meu olhar-te?
A quem tanto viveu de contemplar-te
Te dói de te haveres dado ansiosamente?

E, á luz do mar, ao longe te recortas.
Vejo que fluem para ti, já mortas,
Quantas imagens te criei, tão vivas.

Já não desejo mais do que sorrir-te.

VI

E, todavia, eu não quisera amar-te.
Mas ter-te, sim, de todas as maneiras.
Quem és e como és, de quem te abeiras,
Que dizes ou não dizes, pouco importa.

E muito menos hoje me conforta.
Neste sorriso que dou tranquilo,
Eu ponho num remorso tudo aquilo
Que em fundo amor eu te pudera dar-te,

Se alguma vez te amasse de amor fundo.
Senta-te à luz da do mar, à luz do mundo,
Como na vez primeira em que te vi,

Tão jovem, que era crime o contemplar-te.
E despe-te outra vez, pois vêm olhar-te
Quantos te buscam de saber-te aqui.

Sendo um de tantos, nunca te perdi.

VII

E olhei-te por mais tempo. Ainda hei-de olhar-te,
Quando, acabados teus lugares, partires,
Deixando no ar o espaço de fingires
A graça juvenil que eu devorei,

Ano após ano, e em meu olhar tomei
De todos que te tinham sem te ver.
Ainda hei-de olhar-te, se, quando morrer,
Puder voltar aqui a procurar-te

No espaço que deixaste. Mas não te amo,
Não te amei nunca, e nunca te amarei.
Não se ama nunca a quem olhamos tanto.

Nem se deseja. Quando por ti clamo,
Neste silencio em que de ti fiquei,
Não é senão o libertar do encanto

Que foste ao longe, a luz do mar aceso.
E à luz que te recorta é que estou preso.

Jorge de Sena, 25-02-1965

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domingo, 8 de novembro de 2009

POEIRAS DE BRANCO











CONVITE

Alberto Sergio C. Pierro

APML – Cadeira No. 08



Romance, tendo um neurocirurgião em um grande Hospital como personagem central da história . Os casos relatados (casos clínicos) são verídicos, todo o resto é ficção.


Cocktail de lançamento do livro "Poeiras de Branco", próximo dia 23/11, às 19:30 hrs.

Local: Rua Eduardo Monteiro, em Santo André. (uma uma travessa da Av. Portugal, uma rua antes do Franz Café. maiores detalhes, por favor, contate o Ir. Pierro por e-mail

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sábado, 7 de novembro de 2009

O Viralata










Sei que nunca fui poeta,
Muito menos escritor,
Mas pra contar essa história
Desse cão que conheci,
___ Tinha o corpo todo branco,
tinha o rabinho cotó,
na cabeça a mancha escura
que lhe cobria as orelhas___
Minha gente eu me arrisquei
A passar qualquer vexame
Pra deixar aqui gravada
A história do “Totó” !

O escarcéu era enorme
E maior ainda a sujeira.
O odor que exalava
Impregnava as narinas,
E a impressão era medonha.
Tudo era grande, era enorme,
Era no superlativo.
Tudo, menos o autor
Pois não é que o estardalhaço
Vinha de uma brincadeira
De um trigueiro viralatas.

Tinha o olhar matreiro,
Sobre as patinhas traseiras
Sentado, a abanar a cauda,
O cão se divertia ao ver
Tanta coisa ao seu redor
Pelo chão esparramada.
Desapontado, embora,
Pois que não encontrara
Uma coisa só que servisse
Pra saciar a sua fome...
Apenas lixo e sujeira.

Mas o seu olhar criança
Não se deixa apagar,
Que ainda tem esperança
De alguma coisa encontrar.
Uma pulga atrás da orelha
Atrevida a lhe coçar,
Uma ferida em sua pata
Que insiste em incomodar
Não são motivos para o cão
Na vida não acreditar,
E ainda se alegra a brincar.

Uma senhora que passa
Vendo a sujeira da rua
E o viralatas maroto
Ao lado, a se espreguiçar,
Não disfarça sua ira.
Numa explosão bem humana,
O nojento animal
Ela decide expulsar.
E o cão, pobre coitado
Sua área de folguedos
Se vê obrigado a mudar.

Descendo a rua, contente,
Um garoto de família
___ gente bem, da sociedade ___
Vem chutando uma latinha,
Despreocupado, a cantar,
E o cãozinho, esperançado,
Vê uma nova brincadeira,
Novo amigo a conquistar.
E lá vai ele, todo aceso,
Rápida a cauda abanando,
E a latinha vai buscar.

“Sai pra lá, seu viralatas,
Cão vadio e até sarnento,
Deixa em paz minha latinha
Que quero, sozinho, chutar.”
E o cãozinho, cabisbaixo,
Uma outra brincadeira
Decide-se a procurar.
Mas sua tristeza é fugaz,
De novo a cauda balança,
É que ele viu a criança
A latinha abandonar.

E lá se vai o maroto
Atrás da latinha outra vez.
Mas não é que o garoto
Fez aquilo de propósito
Só pra dar uma pedrada
No ousado viralatas
Que sua nobre brincadeira
Intentara interromper;
E o cãozinho, atordoado,
Com maltrato acostumado,
Vai-se embora avergonhado.


Mas sua ira passa logo
Que de novo o menino
Um gesto amigo lhe acena
Tendo ao lado um companheiro.
E lá se vai o cachorrinho
Iludido de que, agora,
O brinquedo é pra valer
Mal sabendo, no entanto,
Que a intenção dos meninos
Embora lhe acenassem,
Em nada tinham mudado

E o pobre cão viralatas
Virou o centro do mundo
Nessa infernal brincadeira;
Pois não é que lhe amarraram
À cauda aquela latinha
E ainda por cima acenderam
Assustadora bombinha
Da qual o forte estampido
Em meio às gargalhadas
Se misturou aos ganidos
Do apavorado cãozinho.

Em apressada carreira,
Lamentando sua sorte,
Desceu o animal a ladeira
Acabando por perder
Na corrida, a latinha;
Mas eis que, sem dó, o barbante
Que lhe amarraram na cauda
Os dois travessos meninos,
Sangrar a pele lhe fez,
Mas, bastaram umas lambidas,
Pra o assunto ele esquecer.

Alerta, de orelha em pé,
Ouve o grito de um moleque,
O barulho de uma bola,
E lá se vai o maroto
Co’a molecada brincar.
E a história se repete
Sendo, a bola, o viralatas,
Que a garotada sem dó
Não cansava de chutar,
Enquanto o pobre coitado
Lutava por escapar.



Cabisbaixo e dolorido
Decidiu, o viralatas,
Que brincar com a garotada
Não iria nunca mais,
Pois em toda brincadeira
Que se atrevera a entrar
Todo mundo se alegrava
E ria despreocupado,
Só ele é que não entendia
Onde estava, nisso, a graça
Que doído ele saía.

Já fizera um escarcéu
Naquela lata de lixo
E fora expulso da rua;
Correra atrás da latinha
E tivera a cauda a sangrar;
Sem falar no baita susto
Por causa da tal bombinha.
Todo doído e faminto,
Esquecer as brincadeiras
E tratar logo do almoço
Decide o alegre cãozinho.

Uma hora uma pedrada
Outra hora o “sai pra lá”,
E assim transcorria a vida
Daquele cão solitário
Que, apesar do que sofria,
Achava a vida alegre,
E valia ser vivida,
Pois sempre achava comida,
Sempre matara sua sede,
E um canto qualquer lhe servia
À noite, como guarida.

Olhar aceso e matreiro,
Uma lição de otimismo
Era a lida do cãozinho,
Uma verdadeira criança
A espalhar confiança
Na vida que se apresenta,
Sabendo quando esquecer
Os maltratos recebidos,
E também perdoar,
Mostrando que o amor
É o sentimento maior.



Que no amor se engloba a dor,
A alegria e a confiança,
A lembrança e o perdão,
E é, sobretudo, no amor
Que se alimenta a esperança,
A chama que nos faz crer
Que dias melhores virão,
Pois viver sem esperança,
Sem sonhos, sem amor,
É só passar pela vida
Sem realmente viver!

Essa era a filosofia
De um cão, errante e vadio,
E era bem superior
À de muita gente bem,
Que só reclama da vida
E constantemente se esquece:
De tudo que se recebe
Logo, o bem é esquecido
Só o mal é que é lembrado.
Justamente o contrário
Do que demonstrava o cãozinho.

Mas um dia, distraído,
O pobre viralatas
Ao fugir de uma pedrada,
Nas rodas de um caminhão
O seu fim ele encontrou.
Ninguém sentiu sua agonia,
Ao contrário, reclamavam
Do transtorno que causava
O animal ali no asfalto
Obrigando a desviar
Todo o trânsito da rua.

Mas o que ninguém sabia
É que o pobre animalzinho
Assustado com o alvoroço
Ali, no meio da rua,
Ainda assim não se queixava
Do triste fim que avizinhava;
Não chorava suas dores,
Não reclamava da vida,
Nem se assustava com a morte.
Até esquecera as pedradas
E a todos perdoava.



Mas o que naquela hora
O viralatas mais sentia
Era a falta de um amigo
Que lhe coçasse a cabeça,
Que lhe fizesse um afago,
Que o levasse pra bem perto
Da molecada da rua,
Que o cãozinho não queria
Ser estorvo pra ninguém,
Mormente naquela hora
Em que ele se despedia...

O que mais me comoveu
Foi ver o animalzinho
Que a vida só maltratou,
Sentindo a morte chegar,
Pra demonstrar que ainda amava
Ao mundo que o rejeitou,
Em um esforço supremo
Apesar do que sentia,
Sua cauda ele abanou
E assim permaneceu
Até que a morte o levou...

Sei que nunca fui poeta,
Muito menos escritor,
Mas pra contar essa história
Desse cão que conheci,
___ Tinha o corpo todo branco,
tinha o rabinho cotó,
na cabeça a mancha escura
que lhe cobria as orelhas___
Minha gente eu me arrisquei
A passar qualquer vexame
Pra deixar aqui gravada
A história do “Totó” !


Alberto Sergio C. Pierro

APML – Cadeira No. 08

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