HAITI

Ir. Valdemar Sansão(GLESP)
Com o coração sobressaltado vimos a agonia que Porto Príncipe, Capital do Haiti apresenta. Acompanhamos com muito pesar e lágrimas, o desespero, emoção, tristeza e dor desses Irmãos.
Leigo no assunto, entendemos que no fundo do mar, forças internas geológicas se movem e, conforme a massa terrestre resiste, liberam forças extraordinárias, submetendo-as a tremores e abalos na superfície, ou seja, terremotos.
No entardecer da 3ª feira (12/01), de repente o chão começou a sacudir furiosamente. Estrondos, rachaduras, vidro quebrado e abafado pelo desmoronamento de telhados, paredes ruindo, caindo, desabando para dentro dos prédios inteiros com seus andares afundando uns sobre outros, reduzidos a escombros, formando montanhas de tijolos quebrados, madeira entre nuvem grossa de poeira, sobre a avalanche. Gritos de dor, pessoas correndo em fuga desesperada, tentando sair dos prédios, com sangue correndo das feridas abertas, fraturas à vista, gritando alto, chorando, pedindo ajuda para suas dores e tristezas.
Pessoas meio soterradas implorando socorro aos que procuravam abrigo. Outras, sem esperar ordens, começavam a escavar os montes de destroços, com as mãos nuas, pedaços de paus, usados como alavancas, tomando cuidado para não causar novos desmoronamentos, seguindo a vibração do som abafado dos pedidos de ajuda entre vozes que saiam dos escombros que podiam ouvir ou sentir em seus corações.
Continuamente as vítimas espremidas rogando por socorro e homens pedindo silêncio para que continuassem falando e pudessem chegar até elas entre milhares de mortos.
O nosso soldado, abraçado ao seu fuzil, de joelhos, estendendo sua mão e agarrando a de uma mulher soterrada, grita: “ela está viva, ela mexe a mão e pede água, ajudem...” Era uma enfermeira; três dias enterrada viva; o militar a retira. Enquanto o tempo passava, muitas vozes que pediam ajuda se reduziam e sumiam totalmente. Horas depois homens e mulheres continuavam cavando e ouviram o choro fraco de uma criança. Fazendo silêncio, chegaram a certo ponto do monte de escombros e começaram a cavar.
Outros se juntaram para ajudar. Era um bebê que gritava mais alto. Por fim, avistaram o corpo de um homem enterrado, curvado para proteger o filho dos destroços que caíram sobre eles. Vimos em grande parte da cidade, as paredes tombando, esmagando e soterrando quem estava nos prédios, nas casas.
As tubulações de água e esgoto se rompendo, postes de luz tombando, fios soltando faíscas e fumaça. Cheiro forte de gás espalhado na atmosfera. Postos de combustíveis em chamas.
Vimos a cidade mergulhada na confusão e na desordem. Vimos pais com filhos agonizantes no colo pedindo ajuda, compaixão e misericórdia a Deus.
Meu irmão, entendemos seu desespero e sua dor que também é nossa. Contudo isso não foi obra de Deus, mas da Natureza. E a natureza tem as suas próprias leis.
Nesse momento, se nos fosse possível fazer uso da razão, se tivéssemos equilíbrio para sermos coerentes, em vez de perguntar: “Por que eu?”, deveríamos perguntar: “Por que ainda estou vivo? - Talvez Deus o queira vivo para usar cada momento de dor como oportunidade para que aprenda as lições?”.
Cada erro é uma ocasião para corrigir rotas; cada fracasso uma chance para ter mais coragem. Nas vitórias, somos amantes da alegria, nas derrotas sejamos amigos da reflexão!
A vida é o verdadeiro milagre. Deus sabe o destino de cada filho. Santificado possa ser eternamente o Seu nome!
Entre milhares de haitianos mortos, não sabemos quantos, há milhares de pessoas desaparecidas e é difícil saber exatamente quantos de nossos compatriotas lá se encontravam. Além de inúmeros militares feridos, o falecimento da eminente Dra. Zilda Arns Neumann, fundadora e diretora da Pastoral da Criança. Vimos esse grande espírito, mulher serena que foi pregar o Amor na terra da desavença, do padecimento, liderando sua própria emoção, jamais abriu mão da luta em prol do desejo de doar-se, de sacrificar-se pelos carentes, pela construção da Paz no mundo. Dra. Zilda, rogo a graça divina de sua bênção!
Nós que dedicamos nossa juventude e mais de três décadas de serviço ao Exército brasileiro, sabemos quanto árduas são as tarefas do militar que, correndo riscos, expõem sua saúde, sua vida, o vigor de sua mocidade, cumprindo fielmente missões, participando com grandiosidade das tarefas e deveres que enobrecem e dignificam nossa nação.
Assim foi em Guararapes; nos campos da Itália, mortalha de heróis da F E B. Foi em 1935,foi a partir de 1957, com o Batalhão Suez, participando de inúmeras e destacadas Missões de Paz da ONU. Assim foi em todas as ocasiões que a democracia foi ameaçada. O sangue do soldado brasileiro foi derramado. São heróis esquecidos aos quais a nação lhes deve eterna, e muitas vezes negada, gratidão. E agora o terremoto do Haiti ceifou mais vidas desses heróis que foram levados para o túmulo, no cumprimento de mais uma missão. Quatorze corpos de militares do Exército já foram encontrados. Ainda tentam encontrar quatro desaparecidos.
Mais uma vez “Missão cumprida”, bravos Soldados do Brasil. Minha respeitosa continência !.
Ficamos mais pobres com a tragédia haitiana. Perdemos soldados que como vemos nos telejornais, tinham a confiança daquele sofrido povo. Enobreceram a bandeira que ostentavam na farda. Perdemos Zilda Arns, grande brasileira, que tinha a criança carente no coração.
A Filosofia Maçônica não aceita a fatalidade, porque basta o ato de Iniciação para transformar o destino de um homem. Existe a “terapêutica do destino”; basta contornar uma situação que conduz a um fim desastroso para que o destino se altere; às vezes, uma só palavra de incentivo reanima o maçom e, pleno de esperança, ele foge de uma fatalidade que acreditava impossível de vencer. A confiança no grupo, a fé no poder da união, a consciência de que o maçom não foi “pinçado” em vão dentre muitos, afasta o inevitável no sentido de um fim sem retorno. O desespero sim, é um dos caminhos para descambar em uma fatalidade.
Em Maçonaria, a Natureza tem destaque na figura geométrica do Triângulo equilátero e simboliza o Delta Luminoso fixado no Oriente, dentro do Dossel e acima do trono do Venerável Mestre, representando os três lados do triângulo: o nascimento, a vida e a morte. Dentro da Loja maçônica, a melhor representação da Natureza é o ser humano, porque dela faz parte. A natureza tem sido agredida durante milênios e com maior violência no último século. A reação do próprio homem (Ecologia) para preservá-la tem sido pálida.. A Maçonaria tem o dever de tomar parte nesse esforço, porque é guardiã da Natureza. Ela está nos avisando que precisamos tomar atitudes, mas não ouvimos a sua voz!
A ciência ocupa-se do bem-estar do corpo; o culto do amor ao próximo resulta da elevação da alma; a glorificação a Deus conduz à realização de nossos ideais.
OH, SENHOR MEU DEUS!

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