PEDRA BRUTA

Blog do site SALMO133 - Pesquisas e Estudos Maçônicos

Domingo, 3 de Agosto de 2008

Reflexões de Fernando Pessoa sobre a Maçonaria


    Fernando Pessoa


Reflexões de Fernando Pessoa sobre a Maçonaria

Antes de iniciar este trabalho quero fazer uma reflexão. É a de que Fernando Pessoa considera, nestas suas notas, a Maçonaria como uma ordem iniciática com uma doutrina esotérica específica, preparatória para outras vias mais altas de Ocultismo.

Feito este reparo, e considerando todavia o grande interesse destas reflexões, entro na matéria do trabalho.

Conforme bem sublinhou Yvete Centeno na sua obra Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética, o interesse pelo ocultismo e pelas tradições herméticas despertou no poeta por volta de 1906, quando tinha dezassete anos e vivia ainda na África do Sul.

Cedo Fernando Pessoa se afastou da religião católica em que tinha sido criado, como se pode constatar pelos fragmentos Excomunhão a todos os sacerdotes e sectários de todas as religiões do mundo, assinado por Charles Anon (1907) e Pacto com Satanás, feito por Alexander Search no mesmo ano.

Destas duas personagens literárias inglesas, só Search deixa umas centenas de poemas, entre os quais o poema Circle, de raiz nitidamente mágica.

A sua vinda para Lisboa em 1908 e a frequência da Faculdade de Letras levam o poeta a interessar-se pelo estudo da filosofia. A sua produção dessa data é constituída por apontamentos, anotações de leituras e sinopses de livros de filósofos. O poeta e pensador exprime-se então com a generosidade de quem procura o conhecimento com fins altruístas. Em 1910, numa lúcida auto-análise, Fernando Pessoa desabafa: “Eu era um poeta animado pela filosofia e não um filósofo com faculdades poéticas”.

A procura de uma “divindade” que estivesse relacionada com a razão, leva-o a escrever, em 1912, um poema às forças da natureza que acaba com o apelo: “Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama na estrada dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Fase com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como um pai.”

No ano seguinte faz uma série de poemas a que dá o título de “Além Deus” que podem ser sintetizadas na seguinte frase: ” O universo está já onde estará, e já isso, é Deus” / “Deus é o sentido para onde tendem todas as inteligências que governam este mundo contra a vontade satânica da matéria inerte”.

Pessoa afasta-se cada vez mais dos caminhos da religião tradicional: longe da igreja organizada, segue uma via pessoal, sentindo a necessidade de percorrer um caminho iniciático, definindo-o como um estádio neo-pagão, que influencia a produção dos seus heterónimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e António Mora.

Em 1914 escreve uma carta à sua tia Anica, irmã de sua mãe, em que confessa as suas capacidades mediúnicas. Praticamente na mesma altura começa a interessar-se pela Teosofia e confessa ao seu amigo Mário de Sá-Carneiro que os princípios que esta doutrina defende “o incomodam tal como os Ritos e os Mistérios dos Rosa Cruz”.

A partir desta data o poeta empenha-se a fundo nos estudos da Cabala, da Alquimia, da Astrologia, da Magia, da Geometria Sagrada, dos Mistérios Antigos, do Hermetismo em geral e do pensamento de Hermes Trimegisto em particular, tentando assim atingir a Gnose.

Em 1920, quando acaba a primeira fase do namoro com Ophélia Queiroz, Fernando Pessoa escreve na carta de ruptura: “O meu destino pertence a outra Lei cuja existência a Ophélinha nem sabe, está subordinado cada vez mais à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam.”

Supomos serem desta data as reflexões sobre Maçonaria e Iniciação Maçónica que passamos a transcrever:

(…) Iniciar alguém, no sentido hermético, é conferir-lhe conhecimentos que ele não poderia obter por si, quer pela leitura de livros, quer pelo exercício da sua inteligência, por forte que ela seja, quer pela leitura de livros à luz dessa mesma inteligência. (…)

(…) É essencial em primeiro lugar, que o profano seja, de índole e mentalidade, um simbolista, isto é, um indivíduo para quem os símbolos são coisas, vidas, almas e para quem paralelamente as coisas e os homens tenham, em certo modo, a vida irreal e analógica dos símbolos. (…)

(…) Aquilo a que se chama “Iniciação” é de três espécies: Há, primeiro, e no nível ínfimo, a Iniciação exotérica, análoga à Iniciação Maçónica, e de que esta é o tipo mais baixo: É a Iniciação dada a quem propriamente se não encaminhou para ela, nem para ela se preparou, e que serve para pôr o indivíduo em condições de poder dar-se o caminho exotérico de poder buscar, pelo contacto, embora exotérico, com símbolos e emblemas, o verdadeiro caminho. O mais exterior e nulo dos sistemas iniciáticos - como é hoje a Maçonaria - serve este fim, logo que tenha conservado os símbolos pelos quais em nós se infiltra o primeiro conhecimento do oculto. (…)

(…) A Maçonaria é um esquema simbólico, através de cuja linguagem, uma vez gradualmente compreendida, certos conhecimentos se vão obtendo, que fariam pasmar os Maçons vulgares, ainda os de alto grau. Ora os dirigentes superiores da Maçonaria forçosamente são aqueles que entendem e usam o que está contido nesses símbolos. E o que está contido nesses símbolos são os ensinamentos comuns à Cabala e ao chamado Budismo Esotérico. (…)

(…) O Templo de Salomão é a alma humana. A sua expressão interna e suprema. O Mestre Hiran, é morto pelos três assassínios. O Mundo (o desejo dos outros), a Carne (o desejo de si) e o Diabo (o desejo de mais que si) e é este último que dá ao Mestre na fronte o golpe mortal. A Grande Obra é o elaborar em nós no sentido estrito e pessoal, a transmutação do chumbo do nosso ser perecível no ouro do nosso ser que não parece. (…)

(…) São três os caminhos da Iniciação - pela emoção, pela vontade e pela inteligência (ou seja pelo enxofre, pelo sal, e pelo mercúrio). A Iniciação pela emoção adquire-se pela imersão em qualquer religião e pelo misticismo que haja nela. A Iniciação pela vontade adquire-se pertencendo a uma Ordem Iniciática qualquer, a Iniciação pela inteligência faz-se solitariamente, sem contacto fluido ou sólido com qualquer religião ou ordem, o único contacto é aquele, angélico com os Superiores Incógnitos. (…)

(…) A expressão “Vale” de que se usa para definir um lugar de instituições maçónicas é um acto de humildade e verdade, que a Ordem seguiu por indicação superior. É a definição da baixa qualidade da iniciação que ela ministra, em relação à alta iniciação nas altas Ordens onde é referida sempre uma montanha, seja a de Heredon seja a de Abiegno. Pode ser que estas coisas nunca houvessem sido combinadas em palavras, mas ficaram certas nos factos. (…)

(..) No último e excelso sentido a Loja é o Arcano ou a arca da Verdade. O Mestre e os Dois que estão com ele no governo da Loja são o símbolo das três verdades fundamentais ou Cabalísticas. Os Dois que, com estes três, formam os Cinco que completam a Loja são o símbolo dos princípios externos ou de relação, por meio dos quais a Verdade é o único que conta (…).

(…) Os últimos dois princípios pelos quais a Loja se torna perfeita são: O que está em cima é como o que está em baixo, e Quando o discípulo está pronto o Mestre está pronto também. (…)

(…) E é evidente para todos que desde que a Palavra se perdeu, quantos maus caminhos e fingimentos de caminhos surgiram.

Os que mentem, mentem por devoção a um anseio de busca. Ainda os que viciam, viciam para fingindo que encontraram, e satisfazerem a sua sede de encontrar. O filtro da Palavra Perdida tornou-os seus amantes, e seguem atrás dela como cavaleiros errantes sem dama certa, por vias e florestas de sonho e erro, na eterna selva escura do conhecimento imperfeito. (…)

(…) É impossível chegar a qualquer entendimento íntimo da Maçonaria sem ter conhecimento da chamada Ciência Hermética, que vai desde as especulações hiper-metafísicas da Cabala até às semi-metafísicas da Astrologia. Se um Maçon, por instruído que seja no que é pensamento maçónico e meditador que tenha sido da simbólica da sua Ordem, não tiver levado os seus estudos até aos vários ramos da Ciência Hermética - alguns dos quais sem relação alguma aparente com a Maçonaria - ficará perenemente um profano de dentro. (…)

(…) Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desses mundos, em experiências de diversos graus de espiritualidade, subtilizando-se até chegar a um Ente Supremo, que presumivelmente criou este mundo. Pode ser que haja outros Entes, igualmente Supremos, que hajam criados outros Universos, e que esses Universos coexistam com o nosso interpenetradamente ou não. Por essas razões, e ainda outras, a Ordem Externa do Ocultismo, ou seja, a Maçonaria, evita (excepto a Maçonaria anglo-saxónica) a expressão “Deus”, dadas as suas implicações teológicas e populares, e prefere dizer “Grande Arquitecto do Universo”, expressão que deixa em branco o problema se Ele é Criador, ou simples Governador do Mundo. Dadas estas escalas de seres, não creio na comunicação com Deus, mas, segundo a nossa afinação espiritual, podemos ir comunicando com seres cada vez mais altos. (…)

Como ressalvei no principio, nas centenas de fragmentos do espólio do poeta que abordam a temática maçónica, importa sublinhar um elemento: para Fernando Pessoa, a Ordem Maçónica é uma ordem iniciática com uma doutrina esotérica específica, preparatória para outras vias.

Para o poeta, o Templarismo é o prolongamento imediato da iniciação maçónica. Ora é sabido que os altos graus de todos os Ritos, com excepção do Francês, contêm graus de inspiração cavaleiresca templária a partir do 9º grau. A nível da Maçonaria não temos conhecimento de que este projecto iniciático seja cumprido a não ser que o segredo esteja incomunicável e para além da pompa e circunstância das cerimónias. Segundo informa José Manuel Anes só o Regime Escocês Rectificado possuiu hoje um Templarismo ou Templismo iniciático baseado numa doutrina cristã gnóstica, de que parece ter feito parte o nosso Irmão Gomes Freire de Andrade e provavelmente o que levou o rei D. Fernando a candidatar-se, tendo sido derrotado, a Grão-mestre da nossa Augusta Ordem.

O que me leva a supor que, entre 1910 e 1935, terá havido algum círculo restrito que manteve viva esta tradição iniciática Templária com a qual Pessoa teve alguma relação. Isto explicaria o circuito iniciático e o Templo da Quinta da Regaleira, não restando pois qualquer dúvida sobre este filho da viúva nosso irmão.

Duas Adendas Esclarecedoras

Fernando Pessoa - Últimas Estrofes do Poema S. João (1935)

(recolhido por Alfredo Margarido)

(…)

(E) foi então que, para te vingar

E à maneira de santo, os arreliar

Desceste mansamente à terra

Perfeitamente disfarçado

E fizeste entre os homens da razão

Um milagre assignado,

mas cuja assignatura se erra

Quando em teu dia, S. João do Verão,

Fundaste a Grande Loja de Inglaterra.


Isto agora é que é bom,

Se bem que vagamente rocambolico.

Eu a julgar-te até catholico,

E tu sahes-me maçon.


Bem, ahi é que ha espaço para tudo,

Para o bem temporal do mundo vario.

Que o teu sorriso doure quanto estudo

E o teu Cordeiro

Me faça sempre justo e verdadeiro,

Prompto a fazer fallar o coração

Alto e bom som

Contra todas as fórmulas do mal,

Contra tudo que torna o homem precario.

Se és maçon,

Sou mais do que maçon - eu sou templarío.


Esqueço-te santo

Deslembro o teu indefinido encanto.


Meu Irmão, dou-te o abraço fraternal.


Excerto da “Nota Biográfica” de Fernando Pessoa, 30 de Março de 1935

(…)


Obras que tem publicado: A obra está essencialmente dispersa, por enquanto, por várias revistas e publicações ocasionais. O que, de livros ou folhetos, considera como válido, é o seguinte: “35 Sonnets” (em inglês), 1918; “English Poems I - II” e “English Poems III” (em inglês também), 1922, e o livro “Mensagem”, 1934, premiado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, na categoria “Poemas”. O folheto “O Interregno”, publicado em 1928, e constituindo uma defesa da Ditadura Militar em Portugal, deve ser considerado como não existente. Há que rever tudo isso e talvez que repudiar muito.

Educação: Em virtude de, falecido seu pai em 1893, sua mãe ter casado, em 1895, em segundas núpcias, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban, Natal, foi ali educado.

Ganhou o prémio Rainha Vitória de estilo inglês na Universidade do Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de admissão, aos 15 anos.

Ideologia política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, com pena, pela República. Conservador de estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservadorismo, e absolutamente anti-reaccionário.

Posição religiosa: Cristão gnóstico, e portanto inteiramente oposto a todas as Igrejas organizadas, e sobretudo à Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da Maçonaria.

Posição iniciática: Iniciado, por comunicação directa de Mestre a Discípulo, nos três graus menores da (aparentemente extinta) Ordem Templária de Portugal.

Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo mítico, de onde seja abolida toda infiltração católico-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo, que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: “Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação”.

Posição social: Anticomunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima.

Resumo de estas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos - a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.


Assinatura de Fernando Pessoa Lisboa, 30 de Março de 1935




V. B.

Março/Agosto de 2005

Bibliografia:

ANES, JOSÉ MANUEL: Re-criações herméticas - Ed. Hugin 1996

CENTENO, YVETTE: Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética - Ed. Presença, 1985

CENTENO, YVETTE: Fernando Pessoa - Os Trezentos e Outros Ensaios - Ed. Presença, 1988

MOTA, PEDRO TEIXEIRA: Rosea Cruz - Ed. Manuel Lencastre, 1989

MOTA, PEDRO TEIXEIRA: Fernando Pessoa - Moral, Regras de Vida, Condições de Iniciação — Ed.Manuel Lencastre, 1989

MOTA, PEDRO TEIXEIRA: Fernando Pessoa - Poesia Mágica, Profética e Espiritual - Ed. Manuel Lencastre, 1989

MATOS, JORGE: O Pensamento Maçónico de Fernando Pessoa - Ed. Hugin, 1999

PETRUS: A Maçonaria vista por Fernando Pessoa - Ed. Autor, 196?

QUADROS, ANTÓNIO: Fernando Pessoa, A Procura da Verdade Oculta - Ed. Europa América, 1989


FONTE: Grande Oriente Lusitano








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DAI TEMPO AO TEMPO, SOBRETUDO AOS AMIGOS

“Chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer, tudo o que recebi de meu Pai” (João 15,15)

São palavras de Jesus dirigidas a seus companheiros e discípulos, porque quer ficar muito perto de seus amigos, que o acompanham há quase quatro anos. Sabe perfeitamente o que o espera muito em breve. Não atua com segredos, nem dúbias modéstias, diz-lhes diretamente quanto os ama.

Abre-se com a franqueza e honestidade de sua personalidade, diz-lhes que os ama, do seu carinho, tornando-se capaz de ir a extremos no amor “dando a vida por aqueles que ama”(João 15,3-15;13).

“Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi” ( João 15,16). Toma a iniciativa.

Não havia interesses escusos ou escondidos, fossem quais fossem, houve sim uma ternura imensa. Pelos amigos e pela Obra a realizar. A escolha não nasceu da qualidade dos discípulos, mas apenas de uma preferência cheia de carinho.

“Permanecei no meu amor, guardai os meus mandamentos, pedi ao Pai o que quiserdes e daí fruto, um fruto que permaneça” ( João 15,9-10 e 16), diz-lhes com convicção. Então só vos peço uma coisa “que vos ameis uns aos outros" (João 15,17).

Amar todos os outros, sem distinção é o preço único a pagar por aqueles que encontram em ideais transcendentes, valiosos, eternos, puros de verdade e convicção, expressos tão exemplarmente por Jesus, o sentido para o seu amor.

Este capítulo 15 de João, entre os versículos 9 e 17, é um verdadeiro hino à amizade, modelo para um amor gratuito, generoso, universal.

“Ninguém é uma ilha” na expressão de Thomas Merton. Refere que o ser humano é “ser em relação” e só é feliz se encontra nos outros, se se encontra nos outros, o sentido da própria vida.

Ser com os outros, viver em solidariedade, construindo, comungando, são desafios maravilhosos que apenas são possíveis na construção da amizade verdadeira.

A amizade não pode ser simples conhecimento, interesse, cálculo, convivência, oportunismo, uso e abuso de boa vontade superficial, conversa fiada.

Também não é o acaso, curiosidade, rotina, relação social, hábeis tecnologias de boa comunicação ou manipulação.

Torna-se urgente, imprescindível, redescobrir a amizade, como encontro profundo que permite a partilha de sonhos, da autenticidade, o jogo dos afetos, a capacidade de sacrifício, a compreensão e aceitação da dor, como redenção à realização de um rumo ou do sonho, “...quem quiser passar o Bojador, tem que passar além da dor ... Fernando Pessoa”, a alegria no dom.

Não à toa, mas com tremenda razão e profundidade se dizia no adágio popular que “quem descobriu um amigo, descobriu um tesouro”.

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (João 13,34)

Mas a amizade é diferente do amor universal, é um privilégio enorme que se recebe porque se aprendeu a estar disponível. A estar juntos nos desafios e na identificação.

As vozes dos poetas são elucidativas.

“Amigos cento e dez ou talvez mais eu já contei. Vaidades que eu sentia” ... é a expressão de Camilo Castelo Branco, para dizer que amigos verdadeiros são muito poucos. Tão poucos!

Por isso é preciso dar-lhes tempo, para que a amizade cresça e se solidifique, sempre mais bela, mais comprometida.

Não é possível viver ideais transcendentes, éticos, pretensões de uma cultura de fraternidade, sem dar tempo aos amigos verdadeiros, os amigos únicos, que nos aproximam da verdade incomensurável de nossa fé.


Ir. Erasmo Figueira Chaves, M.I.

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Identificando Amigos

Por Jim Mathis
Tenho pensado muito ultimamente em amizade. O problema é que há poucas expressões adequadas para descrever a gama de relacionamentos positivos nessa área. As mais comuns são amigo e conhecido.
Há pessoas que conheço há muitos anos e por quem tenho grande respeito e são para mim mais do que conhecidas. Se as chamar de amigas, que nome darei aquelas que vejo com freqüência e com quem tenho experiências e interesses em comum? Chamá-las de amigas íntimas ou a expressão comum em mensagens de texto, BFF, (best friends forever – amigos para sempre), fica muito simplista.
A laje para construção de relacionamentos são experiências e interesses compartilhados, que variam de um relacionamento para outro.
Meus amigos mais chegados são pessoas com as quais toco junto. A música fala diretamente ao coração. Tocar constrói relacionamentos fortes através de experiências partilhadas, paixões similares e emoções vigorosas. Outros músicos também estão entre meus melhores amigos, dada a linguagem e interesse comuns.
Certa vez perguntei a uma colega música se ela tinha algum bom amigo que nunca fora ouvi-la tocar e ela disse: "Escolhi dedicar minha vida à música. Se um amigo jamais se deu ao trabalho de vir e me ouvir tocar é porque não é assim tão amigo".
Se alguém demonstra desdém pelas coisas que você ama será difícil o cultivo da amizade. Junto com a música, a fotografia é outra paixão minha. Ela é um objetivo pessoal, enquanto a música é um esporte em equipe. Por isso, não tenho tantos amigos fotógrafos como tenho entre os músicos.
Mas se você gasta 50 anos tentando tirar belas fotografias e alguém lhe diz, "Como pode admirar a vida com esta coisa (câmera) diante do seu rosto?", será difícil considerá-lo amigo.
Há outra dimensão na amizade repetidamente destacada no livro de Provérbios. Essa dimensão, expressa de várias maneiras, é o compromisso. Compromisso incondicional.
O verdadeiro amigo é alguém em quem podemos depender nos bons e maus momentos. Quando as coisas vão mal ele permanece ao lado, pronto a oferecer ajuda e suporte necessários.
"O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade" (Provérbios 17.17).
Compromisso focalizado. Não há nada de errado em apreciar a companhia de muitas pessoas, mas os laços que nos ligam a um amigo de verdade são especiais e raros. São relacionamentos que devem ser guardados como tesouro.
"Quem tem muitos amigos pode chegar à ruína, mas existe amigo mais chegado que um irmão" (Provérbios 18.24).
Compromisso leal. Na maior parte do tempo as amizades são agradáveis e divertidas, mas o amigo verdadeiro se importa o suficiente para corrigir e até mesmo nos repreender se necessário. "Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos" (Provérbios 27.6).
Texto de autoria de Jim Mathis, diretor executivo do CBMC em Kansas, Missouri e que, em conjunto com a esposa Louise, dirige uma Cafeteria. Tradução de Mércia Padovani. Revisão e adaptação de J. Sergio Fortes (fortes@cbmc.org.com)
Questões Para Reflexão ou Discussão
Quem é seu melhor amigo?
Que características fazem dessa pessoa parte especial de sua vida?
Concorda com o autor que "amizades mais fortes são construídas pelas experiências e interesses em comum"? Por que?
Você já teve alguma amizade que, em dado momento foi muito forte, mas que foi enfraquecendo e chegou ao fim?
Que fatores contribuíram para a perda dessa amizade?
Concorda que uma amizade verdadeira deve envolver comprometimento pessoal?
Se desejar considerar outras passagens da Bíblia sobre o tema, consulte: Jó 19.14-17; Provérbios 19.4; João 15.13-15; Atos 27.3.

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Domingo, 27 de Abril de 2008

Moral e dogma...

A Maçonaria possui em sua filosofia um ensinamento que pode ser expresso num simples ditame: "Proteja os oprimidos dos opressores; e dedique-se a honra e aos interesses de seu País".
Maçonaria não é especulativa nem teórica, mas experimental, não sentimental, mas prática. Ela requer renúncia e autocontrole.
Ela apresenta uma face severa aos vícios do homem e interfere em muitos de nossos objetivos e prazeres. Penetra além da região do pensamento vago; além das regiões em que moralizadores e filósofos teceram suas belas teorias e elaboraram suas esplendidas máximas, alcançando as profundezas do coração, repreendendo-nos por nossa mesquinhez, acusando-nos de nossos preconceitos e paixões e guerreando contra nossos vícios.
É uma luta contra paixões que brotam do seio dos mais puros sentimentos, um mundo onde preconceitos admiráveis contrastam com práticas viciosas, de bons ditados e más ações; onde paixões abjetas não são apenas refreadas pelos costumes e pelos cerimoniais, mas se escondem por trás de um véu de bonitos sentimentos. Este solecismo tem existido por todas as épocas.
O sentimentalismo católico tem muitas vezes acobertados a infidelidade e o vício.
A retidão dos protestantes apregoa, freqüentemente, a espiritualidade e a fé, mas negligencia a verdade simples, a candura e a generosidade; e a sofisticação do racionalismo ultraliberal em muitas ocasiões conduz ao céu em seus sonhos, mas chafurda na lama de suas ações.
Por mais que exista um mundo de sentimentos maçônicos, ainda assim ele pode ser um mundo onde ela esta ausente. Ainda que haja um sentimento vago de caridade maçônica, generosidade e desprendimento, falta a pratica ativa da virtude, da bondade, do altruísmo e da liberalidade. A Maçonaria assemelha-se aí às luzes frias, embora brilhantes.
Há clarões ocasionais de sentimentos generosos e viris, um esplendor fugaz de pensamentos nobres e elevados, que iluminam a imaginação de alguns. Mas não há o calor vital em seus corações.
Boa parte dos homens tem sentimentos, mas não princípios.
Os sentimentos são sensações temporárias, enquanto os princípios são como virtudes permanentemente impressas na alma para seu controle. Os sentimentos são vagos e involuntários; não ascendem ao nível da virtude. Todos os têm. Mas os princípios são regras de conduta que moldam e controlam nossas ações. Pois é justamente neles que a Maçonaria insiste.Nós aprovamos o que é certo, mas geralmente fazemos o que é errado; esta é a velha história das deficiências humanas.
Ninguém encoraja e aplaude injustiça, fraude, opressão, ambição, vingança, inveja ou calúnia; ainda assim, quantos dos que condenam essas coisas são culpados delas, eles mesmos.Já nos foi dito: "Homem, quem quer que sejas, se julgas, para ti não há desculpa, porque te condenas a ti mesmo, uma vez que fazes exatamente as mesmas coisas."
É surpreendente ver como os homens falam das virtudes e da honra e não pautam suas vidas nem por uma nem por outra. A boca exprime o que o coração deveria ter em abundância, mas quase sempre é o reverso do que o homem pratica.Os homens podem realmente, de um certo modo, interessar-se pela Maçonaria, mesmo que muitos deficientes em virtudes. Um homem pode ser bom em geral e muito mau em particular: bom na Loja e ruim no mundo profano, bom em público e mau para com a família.
Muitos desejam sinceramente ser bons Maçons. Mas é preciso que resistam a certos estímulos, que sacrifiquem certos caprichos. Como é ingrato aquele que morre medíocre, sem nada fazer que o glorifique para os Céus. Sua vida é como árvore estéril, que vive, cresce, exaure o solo e ainda assim não deixa uma semente, nenhum bom trabalho que possa deixar outro depois dele! Nem todos podem deixar alguma coisa para a posteridade, mas todos podem deixar alguma coisa, de acordo com suas possibilidades e condições.
Quem pretender alçar-se aos Céus, sozinho dificilmente encontrará o caminho.A operosidade jamais é infrutífera. Senão trouxer alegria com o lucro, ao menos, por mantê-lo ocupado, evitará outros males. Têm-se liberdade para fazer qualquer coisa, devemos encara-la como uma dádiva dos Céus; têm-se a predisposição de usar bem esta liberdade, então é uma dádiva da Divindade.
Maçonaria é ação, não inércia. Ela exige de seus iniciados que trabalhem, ativa e zelosamente, para o benefício de seus Irmãos, de seu país e da Humanidade. É a defensora dos oprimidos, do mesmo modo que consola e conforta os desafortunados.
Frente a ela é muito mais honroso ser o instrumento do progresso e da reforma do que se deliciar nos títulos pomposos e nos autos cargos que ela confere. A maçonaria advoga pelo homem comum no que envolve os melhores interesses da Humanidade.
Ela odeia o poder insolente e a usurpação desavergonhada. Apieda-se do pobre, dos que sofrem, dos aflitos; e trabalha para elevar o ignorante, os que caíram e os desafortunadosA fidelidade à sua missão será medida pela extensão de seus esforços e pelos meios que empregar para melhorar as condições dos povos.
Um povo inteligente, informado de seus direitos, logo saberá do poder que tem e não será oprimido. Uma nação nunca estará segura se descansar no colo da ignorância. Melhorar a massa do povo é a grade garantia da liberdade popular. Se isto for negligenciado, todo o refinamento, a cortesia e o conhecimento acumulado nas classes superiores perecerão mais dia menos dia, tal como capim seco no fogo da fúria popular.Não é a missão da Maçonaria engajar-se em tramas e conspirações contra o governo civil.
Ela não faz propaganda fanática de qualquer credo ou teoria; nem se proclama inimiga de governos.
Ela é o apostolo da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Não faz pactos com seitas de teóricos, utopistas ou filósofos. Não reconhece como seus iniciados aqueles que afrontam a ordem civil e a autoridade legal, nem aqueles que se propõem a negar aos moribundos o consolo da religião.
Ela se coloca à parte de todas as seitas e credos, em sua dignidade calma e simples, sempre a mesma sob qualquer governo.A maçonaria reconhece como verdade que a necessidade, assim como o direito abstrato e a justiça ideal devem ter sua participação na elaboração das leis, na administração dos afazeres públicos e na regulamentação das relações da sociedade. Sabe o quanto à necessidade tem por prioridade nas lidas humanas. A maçonaria espera e anseia pelo dia em que todos os povos, mesmo os mais retrógrados, se elevem e se qualifiquem para a liberdade política, quando, como todos os males que afligem a terra, a pobreza, a servidão e a dependência abjeta não mais existirão.
Onde quer que um povo se capacite à liberdade e a governar-se a si próprio, ai residem as simpatias da Maçonaria.A Maçonaria jamais será instrumento de tolerância para com a maldade, de enfraquecimento moral ou de depravação e brutalização do espírito humano. O medo da punição jamais fará do maçom um cúmplice para corromper seus compatriotas nem um instrumento de depravação e barbarismo.
Onde quer que seja, como já aconteceu, se um tirano mandar prender um crítico mordaz para que seja julgado e punido, caso um maçom faça parte do júri cabe a ele defende-lo, ainda que à vista do cadafalso e das baionetas do tirano.
O maçom prefere passar sua vida oculto no recesso da penumbra, alimentando o espírito com visões de boas e nobres ações, do que ser colocado no mais resplandecente dos tronos e ser impedido de realizar o que deve.
Se ele tiver dado o menor impulso que seja a qualquer intento nobre; se ele tiver acalmado ânimos e consciências, aliviado o jugo da pobreza e da dependência ou socorrido homens dignos do grilhão da opressão; se ele tiver ajudado seus compatriotas a obter paz, a mais preciosa das possessões; se ele cooperou para reconciliar partes conflitantes e para ensinar aos cidadãos a buscar a proteção das leis de seu país; se ele fez sua parte, junto aos melhores e pautou-se pelas mais nobres ações, ele pode descansar, porque não viveu em vão.
A Maçonaria ensina que todo poder é delegado para o bem e não para o mal do povo. A resistência ao poder usurpado não é meramente um dever que homem deve a si próprio e a seu semelhante, mas uma obrigação que ele deve a Deus para restabelecer e manter a posição que Ele lhe confiou na criação.
O maçom sábio e bem informado dedicar-se-á à Liberdade e a Justiça. Estará sempre pronto a lutar em sua defesa, onde quer que elas existam. Não será nunca indiferente a ele quando a Liberdade, a sua ou a de outro homem de mérito, estiver ameaçada.
O verdadeiro maçom identifica a honra de seu país como a sua própria. Nada conduz mais à glória e à beleza de um país do que ter a justiça administrada a todos de igual modo, a ninguém negada, vendida ou preterida.
Não se esqueçam, pois daquilo a que você devotou quando entrou na Maçonaria: defenda o fraco contra o truculento, o destituído contra o poderoso, o oprimido contra o agressor! Mantenha-se vigilante quanto aos interesses e à honra de teu país! E possa o Grande Arquiteto do Universo dar-lhe a força e a sabedoria para mantê-lo firme em seus altos propósitos!
Albert Pike
Soberano Grande Comendador
Escrito em 1871

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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

“QUESTÕES VERNÁCULAS” “Deslizes da linguagem Falada e Escrita”

Embora seja episódio ou acontecimento já ultrapassado, mas não devidamente reconhecido ou esclarecido em sua oportunidade, quero à laia de crônica, repassar, nesta época em que se aproximam eleições, a ocorrência que trás involucrado em si, questões, liberdades, desconhecimentos ou hábitos inconscientes repetitivos, ou talvez muito conscientes, que se vão tornando corriqueiros pelas cidades, cidadelas ou recantos do país, fatos nem sempre salutares ou éticos ao uso do idioma pátrio e, às práticas democrático-republicanas.
Não gostaria de entrar em polêmica de pouca monta por questões de mera opinião, gosto ou tradição. No entanto não devo apenas satisfazer o meu gosto ou comodidade, uma vez que se arregimentam ufanamente entusiasmos e radicalidades que não agregam nada à cultura ou à verdade pragmática da boa convivência, pois lá vem, como cavalo de batalha, um editorial a sacramentar o que o editorialista sequer se deu ao paciente e consciente trabalho, de em breve pesquisa pessoal, antes de editorar e tomar cego partido, fundamentando-se primeira, conspícua e pessoalmente para então e, só então, advertir peremptóriamente como o fez, por jornada de jornal quinzenal e justa voz, publicar alto e bom som “doravante não se empregue mais o erro gramatical “cabreuvense”.
Ora, convenhamos! . . . Aí está precisamente uma errática concepção lingüística, falta de legitimidade e carência, de bom senso, como a que exige a paz social, a cordura., a cultura e a boa convivência entre patrícios ou munícipes. Acusar o prefeito de mau uso do idioma, objetivando, quem sabe, possível e disfarçadamente atingi-lo, no seu afinal bem fundamentado saber gramatical, difundindo popularmente entre quem ao ler de boa fé, mas sem autoridade e devido conhecimento na matéria, para analise crítica, para discernir o certo ou errado, pode deixar-se levar pela obnubilação, ante o óbvio aparente, na falta de fundamentada e criteriosa opinião.
Vem esse sub-reptício ato, óbvia e rebuscadamente eivado de preconceito, ou cega obediência a certo oportunismo e momentânea “conveniência política”, no reparo arbitrário à hipotética incorreção, ou certamente representa inegável desrespeito, desconhecimento ou desprezo pelos parâmetros admissíveis no uso da língua pátria. Dizer com propriedade “sou cabreuvense de coração” como disse o prefeito, assim como é perfeitamente legítimo e correto dizer “sou cabreuvano de coração” não aumenta ou diminue a qualidade, a autenticidade, o caráter ou a quantidade, de amor por Cabreúva, que um ou outro cidadão queira corretamente expressar de forma culta, corrente, sincera, correta, expressa com naturalidade despreocupada, displicentemente, da maneira gramatical local ou universalmente consagrada a que esteja habituado, que seja do seu gosto pessoal, ou que simplesmente assim o deseje, sem cometer despautérios lingüísticos, como qualquer pessoa respeitosamente prefira, por uso culto habitual, por uma ou outra locução pela tradição, gosto, costume, cultura, hábito e uso consuetudinário (ou seja: que se pratica repetidamente, como um costume; usual, costumeiro, fundado nos costumes, na prática, e não nas leis escritas (diz-se do direito, de lei etc.); costumeiro, como explica o autor do “Houaiss da língua portuguesa” consagrado, excelente e moderno dicionário com 380.000 acepções e 220.500 verbetes do etimólogo Antonio Houaiss, professor, diplomata, filólogo, lexicógrafo e acadêmico..., que em obra impar realizou um dos maiores dicionários de consulta da língua portuguesa, sem dúvida o mais recente e autorizado dicionário orientado e dirigido por um dos mais extraordinários e legítimos especialistas em lingüística, membro consagrado da citada “Academia Brasileira de Letras”. Academia que, nos autoritários tempos da ditadura Vargas, terá feito o “seu” hoje praticamente desacreditado “vocabulário ortográfico da língua portuguesa” vocabulário aliás totalmente desatualizado, polêmico e que, embora seja uma pista gramatical, não tem o reconhecimento cabal, prático e real dos verdadeiros cultores da língua, acadêmicos e autorizados formadores de opinião sobre a línguagem, que aliás, como em todas as línguas, não é uma “coisa” estática e “imexível”, quando a falha, omissão ou lacuna é admitida, advertida e levantada por autoridades lingüísticas e autorizados literários consagrados na matéria da literatura,.do léxico e da etimologia.
É preciso recordar, por respeito à verdade, e à inteligência democrática republicana e ortográfica, que quando a “Academia Brasileira de Letras” com todoo peso desua responsabilidade e devida autoridade se inclinou ou “atreveu” ao belo propósito de fazer o seu vocabulário ortográfico, hoje polemizado, sujeito a críticas severas e desconsiderado, estava sob a influência política, do “chefe” todo poderoso e onipotente “ditador” Getúlio Vargas, feito politicamente membro da egrégia Academia, por mais que sua pena e verbo fossem incomuns, sendo personalidade de verbo dominante quanto fascinante., cuja política nacionalista não deixava entretanto, de sofrer a forte influência política, direta ou indireta do integralismo e do corporativismo – de inspiração fascista de Salgado Filho, o qual, na época, propugnava exatamente a exacerbação nacionalista em todas as áreas da atividade nacional, que indiscriminadamente, sem fronteiras, sem padrões de autenticidade, desde a interpretação ou fundamentado respeito, seja à etimologia, aos fatos concretos ou históricos, da. ciência ao trabalho, à indústria, à agricultura, à gramática, ao léxico, à sociologia, à literatura, não restavam escrúpulos à sua malfadada e anti-democrática interferência..
Infelizmente resquícios dessa triste influência e atmosfera se fez sentir, por décadas e décadas e em certas áreas ainda permanece, a nefasta “sociologia” de comparação ufanista de valores, tais como: país maior do mundo, tão grande como, o de futuro mais promissor, do gigante adormecido, do mais e melhor em muitas áreas, do futebol ao Carnaval, às riquezas potenciais, à decantada e encantada dengosa mulata brasileira, ao seu povo cordato, sem racismo, pacífico, vivendo em meio a alusões à lenda do Paraizo Terrestre, sem a devida consideração ética e objetiva das reais circundantes realidades próprias ou alheias. Por que razão “cabreuvense” seria de origem espúria, nada menos que espúria, palavra que segundo o próprio dicionário Houaiss, de um dos mais consagrados membros dessa mesma egrégia Academia Brasileira de Letras, e de outros, como o pai de todos os dicionários o Lello Universal, definem como adjetivo:
ESPÚRIO:
1 não genuíno; suposto, hipotético
2 ilegítimo, bastardoEx.:
3 que não pertence ao vernáculo; não castiçoEx.: palavra e.
4 falsificado, alterado, adulteradoEx.: uísque e.
5 que não está de acordo com as leis ou a ética; ilegal, desonesto, ilegítimoEx.:
6 que não é de autoria da pessoa à qual é atribuídoEx.: quadro e.
Portanto à expressão “cabreuvense” não pode ser de forma alguma, como foi levianamente considerada no artigo editorial crítico do Jornal referido, de espúria, ou seja imprópria, “alterada, falsificada, adulterada” . Pelo contrário, está revestida da mais pura e autêntica legitimidade, histórica, etimológica e gramatical!. . .
Convenhamos, é um exagero! Excesso ou descuido de linguagem, apenas explicável como conseqüência óbvia de paixão ou exacerbado gosto pela tradição, bairrismo, entusiasmo, ou simples preferência por esta ou aquela inadvertida ou teimosa forma de expressar-se pretensa e corretamente, se não exacerbação oportunista e maliciosa de objetivação política. O gosto ou preferência de cada um deve ser necessariamente respeitado e reconhecido por todos, sobretudo se não for dolosamente descriminante.
Há sempre formas e costumes grafados de maneira mais agradável que outras, susceptíveis de favorecer ou agradar ao ouvido de uns e de outros. Para isso há regras, disciplinas, hábitos e costumes, como exige por outro lado uma boa educação e o apropriado uso e conhecimento da língua e não o abuso e uso libertário, condicionante e indiscriminado da língua. Usemos a forma correta que mais nos agrade, dentro da riquesa idiomática. Entretanto, obedientes às regras do léxico, sem imposição e absoluto exclusivismo.
Exclusivismo seria mero despotismo ultrapassado, desconsideração dos valores em jogo, ou intencional desconhecimento, abstração das verdadeiras e diversificadas formas, regras e oportunidades que inspiram, enriquecem, embelezam e recomendam o bom uso da linguagem corrente. Porque razão então seguindo o mesmo critério, indaiatubense, saltense, campinense, jundiaense, arujaense, araraquarense, lisbonense ou lisboeta, recifense, portuense, jaçanaense, cajamarense, itupevense, itatiaiense, itatibense e tantos mais “enses” por aí afora nesse imenso Brasil e no pequenino Portugal de gloriosa origem da língua. estruturada, alinhavada, enriquecida por Camões, Eça de Queiróz, Herculano, Fernando Pessoa, e tantos outros gloriosos, estariam fadados a essa “espúria” descriminação ou condição de ilegitimidade?
Não será mais fácil, culto e equânime admitir a equivalência e propriedade em ambas as expressões, quando ditas espontaneamente, quando for conveniente ou próprio? Para quê fazer rebuscadas, exóticas críticas, impropriamente fundamentadas e ultrapassadas argumentações?
Não se trata de saber o que veio antes ou depois: O ovo ou a galinha. É uma questão de riqueza cultural que deve ser preservada e jamais mutilada ou desviada do verdadeiro foco, por bairrismos, radicalidades supérfluas ou injustificáveis maneirismos de dúbia origem ou intenção.
Muitíssimo menos se houver a intenção de desqualificar quem o diz, quando afinal diz com propriedade e correção.
Negar simplesmente como espúria, tão insensata e declaradamente por jornal em editorial, uma forma perfeitamente legítima e consagrada histórica e universalmente, expressão própria, culta e adequada, dando a outra a exclusividade pretendida, é no mínimo uma capciosa, ilógica opção ou preferência pelo consumo ou uso limitador da linguagem rica e versátil que possuímos, como é a que nos oferece a língua portuguesa.
Essa desconsideração certamente não corresponde a um verdadeiro respeito, zelo, amor e empenho cultural pela propriedade e amplitude da verdade democrático republicana, tremendamente rica na multi-expressividade e tradição da língua.
Ir. Erasmo Figueira Chaves
Presidente Emérito da Academia Paulistana Maçônica de Letras
Titular da cadeira nº 31 (cujo patrono é Cesário Motta Júnior) da Academia Ituana de Letras
Membro da Academia de História Militar.
Presidente fundador da Sociedade Cabreuvana de Cultura

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Maná da 2a. - Investindo na Capacitação de Outros

Minha esposa Louise e eu estivemos fora da cidade por alguns dias. Ao retornar à nossa Cafeteria e notei uma banqueta de bar no quarto dos fundos. Tinha sido colocada lá por causa de alguns parafusos frouxos. Peguei uma chave de fenda, apertei os parafusos e coloquei-a de volta ao balcão, deixando-a outra vez disponível para nossos clientes. Foi quando me ocorreu que qualquer um de nossos 15 empregados teria sido capaz de apertar esses parafusos e consertar a banqueta. Mas, em vez de esperar que um deles tomasse essa iniciativa, entrei em ação.

Quando contei esse episódio para outros proprietários de pequenos negócios, concordaram que esse tipo de problema é comum. Nos tornamos tão acostumados a resolver problemas, que inadvertidamente habituamos nosso pessoal a esperar que abordemos seus problemas, não importa o quão pequenos possam ser.

Me dei conta de que, não permitindo ou não insistindo que outros solucionem os problemas quando eles ocorrem, crio muito mais trabalho para mim e, ao mesmo tempo, impeço o crescimento do negócio e dos funcionários. Talvez por isso muitas empresas exigem que uma nova pessoa assuma a liderança, para que o negócio cresça e atinja nível mais elevado. O empresário fundador simplesmente não está disposto – ou não está capacitado – a delegar responsabilidades de modo apropriado. Creio ter aprendido a lição, mas a verdade é que fazer as coisas eu mesmo já faz parte da minha estrutura. “Capacitar” outras pessoas não é algo fácil para mim.

Parece que, em se tratando de negócios, há basicamente dois tipos de pessoas: (1) o tipo corporativo, que pode dizer com facilidade: “Este não é meu trabalho” e, (2) o tipo empresarial, como eu, que pensa que tudo é trabalho dele. Pela minha experiência parece difícil encontrar um terreno intermediário.

A capacitação de outros – delegação de autoridade e responsabilidade – é tema recorrente na Bíblia. No livro de Gênesis, Deus levou Noé a construir uma arca para se tornar um santuário para sua família e os animais que seriam preservados do dilúvio (Gênesis 6:9-22). Antes disso, lemos sobre a criação do mundo por Deus. Portanto, teria seria bem fácil para Deus construir a arca Ele mesmo. Ao invés disso, Ele atribuiu essa tarefa a Noé. Na libertação dos israelitas da tirania do Egito, Deus guiou Moisés para ser Seu mensageiro e guiasse o povo à Terra Prometida. Depois de permitir que Moisés avistasse a Terra Prometida do alto do monte Nebo, Deus delegou essa responsabilidade para Josué, assistente de Moisés.

O maior exemplo de líder delegando autoridade é encontrado depois da ressurreição de Jesus e Seu aparecimento aos Seus seguidores. Pouco antes de Sua ascensão, Ele lhes disse: “Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, ensinando-os a obedecer a tudo o que Eu lhes ordenei” (Mateus 28.18-20).

Se o Deus Todo-Poderoso acha apropriado delegar parte do Seu trabalho a outros, não deveríamos fazer o mesmo?

Próxima semana tem mais!

Texto de autoria de Jim Mathis, diretor executivo do CBMC em Kansas, Missouri e que, em conjunto com a esposa Louise, dirige uma Cafeteria. Tradução de Mércia Padovani. Revisão e adaptação J. Sergio Fortes (fortes@cbmc.org.br).

MANÁ DA SEGUNDA® é uma edição semanal do CBMC INTERNATIONAL, uma organização de âmbito mundial, não-denominacional, fundada em 1930, com o propósito de compartilhar Jesus Cristo com a comunidade profissional e empresarial.

© TODOS OS DIREITOS RESERVADOS PARA CBMC BRASIL , CP. 1515, Barueri, SP, 06493-970. E-mail: liong@cbmc.org.br -A distribuição em sua íntegra é desejável, mas a reprodução parcial ou integral requer prévia autorização. Disponível também em alemão, espanhol, francês, inglês, italiano e japonês.
Questões Para Reflexão/Discussão

1. Em que tipo de empresário você se enquadra: o tipo corporativo, que diz “Isto não é meu trabalho”, ou o tipo empresarial disposto a fazer o trabalho dos outros?

2. Por que é tão difícil delegar responsabilidade e autoridade para outras pessoas? Você se lembra da vez em que alguém relutou em confiar-lhe uma responsabilidade que você sentia ter conquistado? Como você se sentiu?

3. Que acha dos exemplos citados da Bíblia, em que Deus delegou autoridade e responsabilidade para outras pessoas? Como compararia isso com as circunstâncias do seu cotidiano?

4. Você se lembra de situações em que deixou de delegar a outros um trabalho, de que eram perfeitamente capazes de realizar? Como você poderia ter evitado isso?

Se desejar analisar outras passagens sobre esse assunto, consulte: II Reis 2.1-22; Mateus 10.1-16; Colossenses 4.7-9; I Tessalonicenses 3.1-5.

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O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA

Matéria apresentada pelo Ir. Arthur Aveline - MM
ARLS Dos Obreiros da Arte Real nº 154
Porto Alegre - RS
GLMERGS


O progresso da Humanidade tem seu início na aplicação das leis de justiça, de amor e de caridade. Princípios sempre defendidos por nossa Sublime Instituição que, justamente por isso, é considerada progressista. Aonde não há Justiça e amor vigora a barbárie e a violência. A Justiça nada mais é do que o respeito ao direito de cada um. É a base para a convivência em sociedade, por conseqüência, mola mestra do desenvolvimento. O amor, por sua vez, substituiu o personalismo. É o triunfo sobre o ego, já que o amor, por definição, é incondicional e não exige retorno.

O amor, juntamente com a Justiça, é outra conquista importante do homem no interminável processo de evolução. O amor é elemento fundamental — um verdadeiro alicerce — na formação de uma personalidade sadia; gera e incentiva um comportamento equilibrado. Uma criança amada é mais confiante em si mesma, tem mais auto-estima, por isso desenvolve seu potencial de forma mais uniforme e rápida, transmitindo aos seus semelhantes o amor recebido.

Amar é ser consciencioso e fazer aos outros apenas o que deseja para si. Amar é compreender as fraquezas e defeitos do outro, é relevar seus erros e saber perdoar. Quem cresce sem amor fatalmente será um adulto seco e desprovido de compaixão, com um senso de justiça deturpado e deficiente.

A caridade é o terceiro ponto desse alicerce, estendido para outras fronteiras além do círculo familiar e fraternal do Homem e do Maçom. Para se viver a caridade precisa-se desenvolver virtudes.

E o que é virtude? Nosso rituais definem muito precisa e apropriadamente o que vem a ser virtude: "é uma disposição da alma que nos induz à prática do bem".

Construir Templos à virtude é cultivar a permanente disposição para querer o bem, é ter a coragem de assumir valores e enfrentar os obstáculos que dificultarão a subida, rumo ao conhecimento.

Logo, para vivenciar a justiça, o amor e a caridade é necessário antes de tudo ser virtuoso.

Platão, no século V a.c., já mostrava a virtude como esforço de purificação das paixões. Dizia que o compromisso do homem virtuoso está vinculado à razão que determina o exercício prático, o domínio do corpo.

Para Aristóteles, a virtude é a eqüidistância entre dois vícios: um por excesso, outro por falta. Ele nos alerta sobre a necessidade de sermos prudentes e buscarmos o justo meio, sem o excesso e sem a falta.

Só conseguiremos o justo meio a partir da reflexão sobre as duas partes, utilizando a razão, a justiça e o amor pra não haver enganos, a partir do auto-conhecimento, que nos proporcionará a consciência da nossa realidade atual, e assim, saindo das sombras da ignorância, poderemos atingir elevados patamares, desenvolvendo valores conquistados.

Esses valores e virtudes, indispensáveis no Maçom, são conquistados através da vontade, imbuída de razão. Se temos direitos, temos também deveres, e não somente para com os nossos IIr.:, para com nossos familiares, para com a sociedade, mas principalmente para com nós mesmos, para com o nosso trabalho interior, para o desbaste de nossa Pedra Bruta. A síntese desses deveres está em cumprir com nossa obrigação, para conosco e para com nossos Irmãos. Não podemos somente ser Luz no caminho alheio, temos que, antes de nada, ser Luz no nosso próprio caminho.

Muitas vezes esquecemos de olhar para nós mesmos, em se tratando de mudanças e transformações. Exigimos que os outros mudem, sem no entanto, fazer nada para sair de onde estamos. Não deve haver lugar em nossos Templos para a hipocrisia, para a luta pelo poder, para a vaidade.

E a virtude onde fica? E a Fraternidade, o objetivo de servir, de ser caridoso? Será que esse nunca foi o objetivo? Teria sido apenas uma Luz que se apagou? Onde estão nossos valores, sempre ensinados mas nem sempre empregados?

Na verdadeira Maçonaria não deve haver espaço para brigas por cargos, para a disputa política. A verdadeira Maçonaria é aquela em que vivenciamos o Amor, a Fraternidade, a Verdade, o Dever e o Direito. A verdadeira Maçonaria é aquela que nos proporciona o prazer indescritível de abraçar um Irmão; é aquela que faz com que a convivência fraternal seja um prazer e não uma obrigação semanal.

Precisamos reavaliar nossas atitudes, nossos comportamentos e valores. Estamos realizando o trabalho que chamamos maçônico com respeito e humildade ou com arrogância e orgulho? Estamos realmente cumprindo o que juramos, de forma livre, quando conhecemos a V.: L.:? Estamos realmente cavando masmorras ao vício e levantando Templos à virtude?

Nossa Ordem precisa sair do imobilismo que se encontra. Precisamos, com união e respeito, debater mais nossos problemas em Loja; precisamos aprender a criticar e, principalmente, aprender a ouvir críticas; precisamos, acima de tudo, ser mais tolerantes com os outros e menos tolerantes com nós mesmos; precisamos desbastar nossa Pedra, não a do nosso Irmão.

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